O que o sono e as emoções têm a ver com o diabetes?
Maiara Ferreira

Quando se fala em diabetes, quase sempre a conversa gira em torno da alimentação, dos medicamentos e da atividade física. E faz sentido, já que esses são pilares importantes do cuidado.
Mas existem outros dois fatores que também influenciam diretamente a glicemia e ainda recebem pouca atenção: o sono e a saúde emocional.
Dormir mal, viver sob estresse constante ou sentir sobrecarga devido ao tratamento pode impactar o organismo e dificultar o manejo do diabetes.
O peso emocional de conviver com uma condição crônica
Conviver com diabetes significa tomar decisões diariamente: pensar na alimentação, lembrar dos medicamentos, acompanhar exames e prestar atenção aos sinais do corpo.
Com o tempo, essa responsabilidade contínua pode gerar um sentimento de exaustão e sobrecarga que a ciência conhece como angústia do diabetes, ou diabetes distress.
Diferentemente da depressão clínica, a angústia do diabetes está diretamente ligada às frustrações e preocupações do manejo diário da condição. É muito mais frequente do que se imagina, pois afeta mais de 60% das pessoas com diabetes tipo 2, segundo estudos citados pela Associação Americana de Diabetes.
Esse impacto não fica apenas no emocional e os níveis elevados de angústia estão associados a:
- maior dificuldade para seguir o tratamento
- piora nos hábitos alimentares e de atividade física
- redução da confiança no próprio cuidado
- aumento dos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c)
A boa notícia é que existem formas eficazes de lidar com isso.
Educação em diabetes, grupos de apoio, acompanhamento psicológico e práticas de atenção plena podem ajudar tanto no bem-estar emocional quanto no cuidado com a glicemia.
Se o cuidado estiver parecendo pesado demais, converse com sua equipe de saúde ou alguém de confiança. Você não precisa enfrentar isso sem apoio.
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Por que o sono importa para a glicemia
O sono ocupa cerca de um terço da nossa vida e participa da regulação de diversos processos do organismo, incluindo aqueles ligados ao metabolismo da glicose.
Dormir pouco ou em excesso pode dificultar o manejo do diabetes.
- Dormir em torno de sete horas por noite está associado aos melhores resultados metabólicos, pois contribui para o equilíbrio dos processos endócrinos e cardiovasculares que ajudam a manter a sensibilidade à insulina.
- Dormir menos de sete horas ou mais de nove horas pode impactar negativamente os níveis de hemoglobina glicada (HbA1c), pois favorece o estresse metabólico e a resistência à insulina, elevando a glicemia e aumentando o risco de progressão do diabetes.
Além disso, noites mal dormidas aumentam a produção de hormônios relacionados ao estresse, favorecendo a resistência à insulina e tornando mais difícil manter a glicose dentro da faixa desejada.
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Ronco e cansaço constante merecem atenção
Existe ainda outra condição importante nessa conversa: a apneia obstrutiva do sono.
Ela provoca interrupções repetidas da respiração durante a noite e é bastante frequente entre pessoas com diabetes tipo 2, especialmente quando há obesidade associada.
Alguns sinais que merecem investigação incluem:
- ronco intenso
- pausas na respiração durante o sono
- sono agitado
- acordar cansado mesmo após muitas horas na cama
- sonolência durante o dia
As interrupções respiratórias geram um estresse constante no organismo e podem aumentar a resistência à insulina e os níveis de glicose no sangue.
Quando a apneia é identificada e tratada adequadamente, também é comum observar melhora do diabetes.
Pequenos hábitos que ajudam a dormir melhor
Algumas mudanças simples podem favorecer a qualidade do sono e contribuir para o equilíbrio da glicemia:
- mantenha horários regulares para dormir e acordar
- deixe o quarto escuro, silencioso e confortável
- evite telas próximo ao horário de dormir
- reduza o consumo de cafeína e álcool no período da noite
- prefira refeições mais leves antes de se deitar
Cuidar do diabetes também é cuidar de você
O cuidado com o diabetes não acontece apenas durante as refeições ou na hora de tomar os medicamentos. Ele também passa pelo descanso, pelas emoções e pela forma como você se relaciona com a própria saúde.
Porque cuidar da glicemia também é cuidar do corpo e da mente como um todo.
Veja algumas dicas de rituais de bem-estar que você precisa fazer no seu dia a dia.
Referências:
- American Diabetes Association and European Association for the Study of Diabetes. Management of Hyperglycemia in Type 2 Diabetes (2022). Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10008140/





