Unhas: o que elas revelam sobre sua saúde e como tratar problemas comuns

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Unhas: o que elas revelam sobre sua saúde e como tratar problemas comuns

Você sabia que as unhas podem funcionar como um verdadeiro espelho da sua saúde? Muitas vezes, alterações sutis na cor, textura ou formato das unhas são os primeiros sinais de que algo não vai bem no organismo.  

Embora as unhas sejam compostas por tecido queratinizado (considerado “morto”), a matriz, que é a raiz onde ela se forma, é um tecido vivo e extremamente sensível às condições internas do corpo. 

A dermatologista Adriana Vilarinho, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que qualquer alteração nas unhas não deve ser ignorada, pois pode estar denunciando deficiências nutricionais, problemas hormonais ou até doenças sistêmicas. 

Ao mesmo tempo, as unhas também são suscetíveis a problemas locais, como infecções por fungos e o incômodo da unha encravada. Entender a diferença entre os sinais que vêm de dentro e os que afetam a estrutura da unha é o primeiro passo para o cuidado correto. 

O que as alterações nas unhas podem indicar? 

Diferentes cores, texturas e formas das unhas podem estar associadas a condições de saúde específicas. Conheça os principais sinais e o que eles podem significar. 

Unhas muito claras ou pálidas: Quando as unhas perdem a coloração rosada e ficam esbranquiçadas ou muito pálidas, podem ser um sinal de anemia, deficiência de ferro ou problemas nutricionais. Também podem estar relacionadas a questões hormonais ou, em casos mais específicos, a doenças hepáticas e renais. 

Unhas com coloração esbranquiçada (leuconíquia): Manchas ou faixas brancas nas unhas são bastante comuns e, na maioria das vezes, benignas, podendo ser causadas por pequenos traumas. No entanto, quando a mancha é extensa, pode indicar infecção fúngica, doenças hepáticas, cirrose, insuficiência cardíaca, diabetes ou até condições genéticas como vitiligo e hanseníase. 

Unhas amareladas: O amarelamento é um dos sinais mais clássicos de infecção por fungos (micose), mas também pode ser consequência do uso frequente de esmaltes escuros sem base protetora. Quando persistente, pode estar associado a doenças pulmonares, hepáticas, psoríase, diabetes ou reação a medicamentos. 

Manchas brancas pequenas e pontuais: Muito comuns em mulheres, essas manchas podem surgir por variações hormonais ao longo do ciclo menstrual. Também podem aparecer com o uso de alguns antibióticos ou em doenças como vitiligo e hanseníase, mas geralmente não indicam problemas graves de saúde. 

Unhas onduladas ou com estrias: Pequenas ondulações na superfície da unha podem ser uma consequência natural do envelhecimento. Porém, se forem mais profundas ou surgirem de repente, podem ser sinal de doenças infecciosas recentes, psoríase, dermatite atópica, lúpus ou efeito de tratamentos fortes, como a quimioterapia. 

Unhas rachadas ou com sulcos verticais: Rachaduras e sulcos podem ser um alerta para reduzir o uso de esmaltes e acetona, que ressecam a unha. Quando não há causa externa, podem sinalizar carência de vitaminas, ferro ou ácido fólico, além de desnutrição, doenças endócrinas ou problemas na tireoide. 

Unhas quebradiças e que descamam: Unhas que quebram com facilidade e descamam em camadas podem estar relacionadas a problemas na tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo), anemia ou dermatoses. O ressecamento excessivo e o contato com produtos químicos agravam esse quadro. 

Problemas específicos: fungos nas unhas e unha encravada 

Além de refletir condições internas, as unhas podem desenvolver problemas locais que exigem atenção e tratamento específicos. 

Fungos nas unhas (onicomicose) 

A micose nas unhas é uma infecção causada por fungos dermatófitos, leveduras ou bolores. Esses micro-organismos se proliferam em ambientes quentes e úmidos, e as unhas dos pés são as mais afetadas, especialmente em pessoas que frequentam ambientes como piscinas, academias e vestiários. 

Os principais sinais da infecção fúngica incluem: 

  • Unhas com coloração amarelada, acastanhada ou esbranquiçada 
  • Espessamento da unha 
  • Aspecto irregular, com superfície áspera e descamativa 
  • Fragmentação e bordas irregulares 
  • Em alguns casos, odor desagradável 

O tratamento da micose de unha depende da gravidade e extensão da infecção. Em casos leves e localizados, o médico pode prescrever esmaltes ou cremes antifúngicos de uso tópico. Em infecções mais extensas ou que não respondem ao tratamento tópico, pode ser necessário o uso de medicamentos orais (antifúngicos sistêmicos) por alguns meses. Em situações mais resistentes, procedimentos como a remoção química ou cirúrgica da unha podem ser indicados. 

Unha encravada (onicocriptose) 

A unha encravada ocorre quando a borda da unha cresce e se enterra na pele ao redor, causando dor, vermelhidão, inchaço e, em alguns casos, infecção. É mais comum nos dedos dos pés, principalmente no hálux (dedão). 

As principais causas incluem: 

  • Corte inadequado das unhas em formato arredondado 
  • Uso de sapatos muito apertados ou com bico fino 
  • Trauma local (como uma pancada) 
  • Predisposição genética ou alterações anatômicas dos dedos 

O tratamento da unha encravada varia conforme a gravidade: 

  • Casos leves: imersão do pé em água morna com sal, uso de calçados abertos e elevação da borda da unha com algodão ou fio dental sob orientação médica. 
  • Casos moderados: o podólogo ou médico pode remover o fragmento de unha que está encravado e orientar sobre os cuidados. 
  • Casos graves ou recorrentes: pode ser necessária uma pequena cirurgia para remover a porção da unha e, em alguns casos, parte da matriz ungueal para evitar que o problema se repita. 

É importante não tentar resolver uma unha encravada com alicates ou ferramentas caseiras, pois isso pode agravar a infecção e causar complicações. 

Soluções e dicas para manter as unhas saudáveis 

A prevenção é a melhor estratégia para evitar tanto as infecções fúngicas quanto a unha encravada e outros problemas. A dermatologista Adriana Vilarinho destaca alguns hábitos essenciais para manter a saúde e a beleza das unhas. 

Corte correto: Corte as unhas sempre em formato quadrado (reto), principalmente as dos pés, e lixe suavemente as pontas para evitar que lasquem. Isso ajuda a prevenir a unha encravada, pois evita que a borda da unha cresça para dentro da pele. 

Cuidado com as cutículas: Não remova completamente a cutícula, pois ela funciona como uma barreira de proteção contra a entrada de fungos e bactérias. Empurre-a suavemente com um palito de madeira após o banho, quando estiver mais macia, e evite cortá-la. 

Higiene e secagem: Após lavar as mãos ou os pés, enxugue muito bem as unhas e os espaços entre os dedos. A umidade é o principal fator que favorece a proliferação de fungos. 

Não compartilhe utensílios: Alicate, lixa, palito e tesoura são itens de uso pessoal. Compartilhá-los pode transmitir fungos e bactérias de uma pessoa para outra. 

Hidratação: Mantenha as cutículas e a pele ao redor das unhas hidratadas com cremes específicos ou óleos próprios. Unhas ressecadas são mais propensas a rachar e descamar. 

Proteção: Use luvas ao realizar tarefas domésticas, especialmente ao manusear produtos de limpeza ou substâncias químicas. Isso protege as unhas e a pele do ressecamento e de possíveis alergias. 

Alimentação equilibrada: Uma dieta rica em proteínas, vitaminas (especialmente do complexo B e biotina) e minerais como ferro e zinco é fundamental para o fortalecimento das unhas. Alimentos como carnes magras, ovos, leguminosas, nozes e vegetais verdes contribuem para unhas mais fortes e saudáveis. 

Evite roer as unhas (onicofagia): Roer as unhas não só prejudica a estética, mas também favorece infecções ao redor da unha e pode causar deformidades permanentes. Se esse for um hábito difícil de quebrar, considere o uso de esmaltes com sabor amargo ou busque ajuda profissional. 

Prefira produtos antialérgicos: Na hora de escolher esmaltes, base ou removedores, opte por produtos livres de substâncias que possam causar alergias ou ressecar as unhas. Quando possível, siga a recomendação de um dermatologista. 

Quando procurar um especialista 

Muitas alterações nas unhas podem ser resolvidas com cuidados simples e mudanças na rotina. No entanto, alguns sinais merecem atenção médica e avaliação de um dermatologista. 

Procure um especialista se: 

  • A alteração na cor, textura ou formato da unha surgir subitamente e não melhorar com os cuidados básicos. 
  • A unha apresentar espessamento significativo, descolamento do leito ou dor persistente. 
  • Houver suspeita de micose (fungos) que não melhora com tratamentos tópicos de venda livre. 
  • A unha encravada causar dor intensa, pus ou sinais de infecção (vermelhidão e calor excessivos). 
  • As alterações nas unhas forem acompanhadas de outros sintomas, como fadiga, perda de peso, febre ou queda de cabelo. 

O diagnóstico correto é essencial, pois o tratamento para uma infecção fúngica é diferente do tratamento para uma unha encravada ou para uma alteração decorrente de uma doença sistêmica. O dermatologista poderá solicitar exames específicos, como a cultura de fungos ou a biópsia da unha, para identificar a causa exata e indicar a terapia mais adequada. 

Lembre-se: as unhas são muito mais do que um detalhe estético. Elas são um termômetro da sua saúde e merecem atenção, cuidados e, quando necessário, acompanhamento profissional. 

Fontes: 

Dra. Adriana Vilarinho, dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Academia Americana de Dermatologia (AAD) 

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