Dia Mundial do Coração: os exames que ajudam a prevenir doenças cardiovasculares
Bianca Azevedo

A cada 90 segundos, um brasileiro morre em decorrência de uma doença cardiovascular. O mais assustador? A maioria dessas mortes poderia ser evitada com exames simples e mudanças no estilo de vida. No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, a mensagem que fica é a clássica “prevenir é mais eficaz e mais barato do que remediar”. Mas você sabe exatamente quais exames fazer e quais números devem acender o alerta?
A Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda: avaliação rotineira dos fatores de risco a partir dos 40 anos, independente do sexo biológico, ou antes para quem tem fatores de risco como histórico familiar, menopausa precoce ou obesidade. Entenda o que cada indicador revela sobre a saúde do seu motor mais importante.
Exames de colesterol
A avaliação do colesterol vai muito além do “total”. O perfil lipídico completo também inclui:
- LDL (colesterol “ruim”): O principal responsável pela formação de placas de gordura que obstruem as artérias (aterosclerose). Quanto mais alto, maior o risco.
- HDL (colesterol “bom”): Age como um “faxineiro” dos vasos, ajudando a retirar o excesso de colesterol dos vasos e lavá-lo ao fígado para ser eliminado. Mas atenção: níveis muito baixos (abaixo de 40 mg/dL para homens e 50 mg/dL para mulheres) estão associados a maior risco cardiovascular. Curiosamente, níveis muito altos também foram associados a maior mortalidade, sugerindo uma relação em forma de “U”. Por isso, o HDL deve ser interpretado em conjunto com os demais fatores de risco cardiovascular
- Triglicerídeos: Outro tipo de gordura no sangue. Níveis elevados são um fator de risco independente, mesmo em quem está com o LDL controlado.
Não se contente com o exame de “colesterol total”. Peça ao seu médico o perfil lipídico completo para uma avaliação precisa.
Exames de glicemia
A glicemia (açúcar no sangue) funciona como um retrato dos níveis de glicose no sangue e é um dos parâmetros importantes para avaliar e acompanhar o diabetes, uma condição que dobra o risco de doenças cardiovasculares. Essa doença danifica os vasos sanguíneos, especialmente quando combinado com hipertensão e colesterol alto, acelerando o acúmulo de placas de gordura.
Se você já tem diabetes, o alerta é vermelho. O diabetes está intimamente relacionado à saúde cardiovascular e renal, parte de uma síndrome mais ampla chamada síndrome cardiovascular-renal-metabólica (CRM).
Para monitorar as condições, o exame glicemia de jejum é o mais comum, mas não é o único:
- Glicemia de jejum: Níveis acima de 100 mg/dL podem indicar pré-diabetes; acima de 126 mg/dL sugere diabetes.
- Hemoglobina glicada (HbA1c): Reflete a média da glicemia dos últimos 2 a 3 meses. É o exame mais fiel para avaliar o controle do diabetes a longo prazo. Estudos mostram que a exposição cumulativa à hiperglicemia (açúcar alto por muito tempo) está fortemente associada ao desenvolvimento de doença arterial coronariana.
- Teste de tolerância à glicose: Avalia como o corpo responde a uma carga de açúcar, sendo útil para diagnosticar, também, diabetes gestacional ou pré-diabetes.
Exames de pressão arterial
A hipertensão arterial (pressão alta) é um dos fatores de risco mais bem estabelecidos para a aterosclerose. O risco cardiovascular aumenta de forma linear com a elevação da pressão, podendo ter associação mesmo a partir de níveis como 115/75 mmHg. A medição regular é essencial porque a pressão alta pode ser assintomática até causar um dano grave.
Para um monitoramento e diagnóstico mais preciso, os médicos podem solicitar:
- MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial): Mede a pressão ao longo de 24 horas, durante as atividades diárias e o sono, permitindo avaliar o comportamento da pressão.
- Medida residencial da pressão arterial (MRPA): O paciente mede a pressão em casa, em diferentes momentos, para complementar as medições no consultório.
Exames complementares
Além dos três “pilares” (colesterol, glicemia e pressão), a avaliação cardiovascular pode incluir:
- Proteína C reativa (PCR) de alta sensibilidade: Marcador de inflamação. Níveis elevados (≥ 2 mg/L) estão associados a maior risco de eventos cardiovasculares, mesmo em quem tem colesterol normal.
- Eletrocardiograma (ECG): Registra a atividade elétrica do coração, detectando arritmias e outros problemas.
- Ecocardiograma: Ultrassom que avalia a estrutura e o funcionamento das válvulas e do músculo cardíaco.
- Teste ergométrico (esteira): Avalia a resposta do coração ao esforço físico e pode ajudar a identificar sinais de isquemia (falta de sangue) e arritmias.
- Exames de imagem avançados: Em casos específicos, a tomografia para escore de cálcio e a angiotomografia das coronárias podem ser solicitadas para detectar placas de gordura antes mesmo dos sintomas surgirem.
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