Agosto dourado: como lidar com os principais desafios da amamentação
Bianca Azevedo

- O leite materno é suficiente para o bebê?
- Desafio 1: bebê não pede para mamar
- Desafio 2: amamentação dolorosa
- Desafio 3: fissuras e o “leite empedrado”
- Desafio 4: estou doente ou tomando medicamentos
- Desafio 5: manter a amamentação após o retorno ao trabalho
- Desafio 6: estresse prejudicando a produção de leite
- O papel da rede de apoio
Amamentar é um ato natural, mas nem sempre é fácil. Para muitas mães, especialmente as de primeira viagem, o período de aleitamento pode vir acompanhado de dúvidas, inseguranças e desafios que, sem o apoio adequado, podem levar ao desmame precoce.
No mês do Agosto Dourado, reunimos os principais desafios das lactantes e as respostas de especialistas para ajudar mães, famílias e profissionais a transformar a amamentação em uma experiência mais leve e gratificante.
O leite materno é suficiente para o bebê?
Sim. O leite materno contém todos os nutrientes que o bebê precisa nos primeiros seis meses de vida. Não há necessidade de complementos com água, chás ou outros alimentos.
Essa “bebida de ouro” nunca é fraca! O que acontece é que ele é facilmente digerido, e o estômago do bebê é muito pequeno. No primeiro dia de vida, por exemplo, o estômago tem o tamanho de uma cereja, cabendo apenas de 5 a 7 ml por mamada. Por isso, o bebê mama pequenas quantidades e em intervalos curtos.
A recomendação é que a mãe ofereça o peito em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê mostrar sinais de fome. Nos primeiros meses, isso pode significar de 8 a 12 mamadas por dia.
Desafio 1: bebê não pede para mamar
Como não é possível ver quantos ml o bebê está ingerindo, a ansiedade sobre se ele está mamando o suficiente toma conta. Os sinais de que o bebê está bem alimentado são:
- Ganho de peso adequado — a maioria dos bebês recupera o peso do nascimento entre 10 e 14 dias
- Padrão de urina e fezes — xixi claro e cocô consistente
- Bebê alerta e satisfeito entre as mamadas
Bebês prematuros, ictéricos ou doentes podem não ter força para acordar e pedir para mamar — nesses casos, é importante acordá-los a cada 3 horas para alimentá-los.
Desafio 2: amamentação dolorosa
Não deveria ser. Nos primeiros dias, é comum sentir algum desconforto enquanto a mãe e o bebê se ajustam à prática. No entanto, a dor persistente pode indicar problemas como a pega incorreta — a principal causa de fissuras, mastites e até do desmame precoce.
Os sinais de uma pega adequada incluem:
- Bochechas cheias e arredondadas
- Lábios voltados para fora, como boca de peixe
- Movimentos lentos e profundos, com deglutição audível
- Ausência de estalos ou covinhas nas bochechas
Uma boa pega garante a transferência eficiente do leite e evita complicações como dor, rachaduras e perda de peso no bebê.
Para ensinar a pega correta, primeiro toque suavemente o mamilo no lábio superior ou no nariz do bebê. Isso estimula o reflexo de busca, fazendo com que ele abra bem a boca. Quanto mais aberta a boca, mais fácil será a pega correta. Assim que o bebê abrir bem a boca e a língua estiver sobre o lábio inferior, aproxime-o da mama, apontando o mamilo para o topo da boca dele. O queixo do bebê deve ser a primeira coisa que toca a sua mama. Ele deve abocanhar uma boa parte da aréola — não apenas o mamilo —, com o lábio e o maxilar inferiores cobrindo mais a parte de baixo da aréola.
Para ajudar a aréola a entrar na boca do bebê, muitas mães usam a técnica do “C”: posicione os dedos polegar e indicador em forma de “C” ao redor da mama, atrás da aréola, sem pressionar os ductos de leite. Isso dá um suporte extra e ajuda a direcionar a mama para a boca do bebê.
Desafio 3: fissuras e o “leite empedrado”
O ingurgitamento mamário, popularmente conhecido como “leite empedrado“, ocorre quando o leite não é drenado adequadamente. A melhor prevenção é a amamentação frequente e com pega correta. Quando o bebê faz a pega correta e mama com frequência, o esvaziamento da mama acontece naturalmente.
Algumas dicas práticas:
- Use sutiãs específicos para amamentação, que sustentem sem comprimir
- Não pule mamadas, especialmente no início
- Se houver dor, compressas frias após a mamada podem aliviar a inflamação
Para fissuras, a correção da pega é fundamental.
Desafio 4: estou doente ou tomando medicamentos
Na maioria dos casos, isso não impede a amamentação. Muitas doenças comuns não afetam a qualidade do leite materno. Além disso, a maioria dos medicamentos pode ser utilizada com segurança durante a amamentação, incluindo analgésicos, antibióticos e até antidepressivos.
A Sociedade Brasileira de Pediatria disponibiliza listas com os medicamentos compatíveis com a amamentação. O importante é buscar orientação médica e não interromper o tratamento.
Desafio 5: manter a amamentação após o retorno ao trabalho
Com planejamento, é possível continuar amamentando mesmo após o retorno ao trabalho. A legislação brasileira garante à mãe dois intervalos de 30 minutos por dia para amamentar ou fazer a ordenha, até que o bebê complete seis meses.
Além disso, a mãe pode realizar a ordenha e armazenar o leite materno em frascos limpos, conservando-o por até 12 horas na geladeira ou por até 14 dias no congelador. O cuidador que ficar com a criança deve aquecer o leite em banho-maria e oferecê-lo, de preferência, em copinho ou colher dosadora, para evitar a chamada “confusão de bicos”.
Desafio 6: estresse prejudicando a produção de leite
A adrenalina liberada pelo estresse interfere na quantidade de prolactina, o hormônio responsável pela produção do leite. No entanto, essa “diminuição” é momentânea.
Estratégias que podem ajudar: buscar apoio emocional, praticar técnicas de relaxamento (como respiração profunda), descansar sempre que possível e, se necessário, procurar um psicólogo perinatal.
O papel da rede de apoio
Um dos fatores mais decisivos para o sucesso da amamentação é a rede de apoio. A presença de familiares e amigas que ouvem e compreendem as experiências da mãe reduz a sensação de isolamento e reforça sua segurança emocional.
O apoio prático também conta: ajudar nas tarefas domésticas, nos cuidados com o bebê, providenciar alimentos e água para a mãe são atitudes que fazem toda a diferença. O pai, em especial, desempenha um papel crucial no incentivo e na superação das dificuldades que possam surgir.





