Saiu do plano? Tudo bem. O que importa é o que você faz a seguir.

fcsilveira

Saiu do plano? Tudo bem. O que importa é o que você faz a seguir.

Recaídas acontecem — e não significam fracasso. Elas fazem parte de qualquer processo que envolve mudanças profundas de hábitos, emoções e rotina. O que define o resultado não é o deslize em si, mas a forma como você reage a ele. 

Por que as recaídas acontecem

As recaídas têm raízes emocionais e práticas. Estresse, ansiedade, tristeza ou até momentos de alegria podem levar a comer sem que a fome seja o motivo. Sentimentos de vergonha e culpa em relação ao próprio corpo também aumentam o sofrimento emocional — e dificultam a continuidade do processo.

Reconhecer esses gatilhos não é desculpa: é o primeiro passo para lidar com eles de forma mais consciente.

O ciclo da culpa — e como sair dele 

Depois de um deslize, muitas pessoas entram em um ciclo de autocrítica que enfraquece a motivação. A culpa e a vergonha tornam mais difícil manter os hábitos ao longo do tempo — e, quanto mais intensos esses sentimentos, maior a chance de novos excessos e do afastamento completo do autocuidado.

Tratar a si com a mesma gentileza que se teria com alguém próximo é uma das formas mais eficazes de romper esse ciclo. Reconhecer o momento difícil, sem se punir, favorece decisões mais conscientes nos dias seguintes.

Cuidado com o pensamento “tudo ou nada” 

Um dos maiores sabotadores nesse processo é a ideia de que um erro invalida todo o esforço anterior. Pensamentos como “já que saí do plano, vou desistir” transformam um episódio isolado em abandono total.

Uma refeição fora do planejamento não define o progresso. O que importa é o conjunto de escolhas feitas ao longo do tempo — e a disposição de retomar.

Como retomar o foco na prática 

Algumas atitudes simples ajudam a seguir em frente após um momento difícil:

  • Relembre os motivos que levaram ao início da mudança — saúde, energia, bem-estar
  • Valorize pequenas conquistas, mesmo quando o processo não foi perfeito
  • Evite comparações e respeite o seu próprio ritmo
  • Peça apoio — de um amigo, familiar ou de alguém que esteja passando pelo mesmo processo
  • Lembre que o caminho não é linear — e que ajustes fazem parte

Gentileza com você mesmo é parte do tratamento 

Assim como cuidar de um jardim, o autocuidado exige continuidade. Um dia difícil não define todo o processo. Retomar o foco com gentileza fortalece a constância e favorece mudanças que duram de verdade. O apoio profissional é indispensável para tirar dúvidas e orientar cada pessoa de forma individualizada. Em caso de dúvidas, procure por um especialista para uma avaliação completa e personalizada.

Referências bibliográficas
ALMEIDA, Nazaré de Oliveira; DEMARZO, Marcelo; NEUFELD, Carmem Beatriz. Intervenções baseadas em compaixão para comportamentos relacionados à obesidade: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de Janeiro, v. 19, n. esp., p. 203–227, 2023.
DOI: 10.5935/1808-5687.20230045.

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