Canetas injetáveis: como evitar carências nutricionais na falta de apetite

fcsilveira

Canetas injetáveis: como evitar carências nutricionais na falta de apetite

Os medicamentos análogos de GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas injetáveis” ou “canetas emagrecedoras”, vêm ganhando espaço no tratamento do sobrepeso e da obesidade. 

Isso porque um dos resultados esperados é a perda de peso, que está relacionada à inibição do apetite. Com menos fome, a quantidade de alimentos consumida também pode diminuir. 

Mas o uso da caneta traz um ponto de atenção: mesmo com a redução da fome, a alimentação precisa continuar.  

Não se trata apenas de quanto você come, mas da necessidade de continuar colocando comida no prato para fornecer os nutrientes necessários para o corpo funcionar.  

Como as canetas reduzem o apetite? 

As canetas injetáveis reduzem o apetite ao imitar o hormônio natural GLP-1, que atua no intestino e se liga a receptores em áreas do cérebro que regula o apetite. 

Esses medicamentos podem aumentar a sensação de saciedade e reduzir a fome, fazendo com que a pessoa tenha menos vontade de comer. 

Alguns desses medicamentos também podem influenciar o esvaziamento do estômago. Por isso, a sensação de satisfação permanece por mais tempo. 

É justamente aí que é preciso ter atenção: se a fome diminui demais, comer pouco pode deixar de ser apenas uma consequência do tratamento e passar a dificultar o consumo adequado de nutrientes. 

Por que deixar de comer se torna um problema? 

Proteínas, vitaminas e minerais participam de diferentes funções do organismo, e o corpo precisa desses nutrientes mesmo quando o apetite diminui. 

Imagine que seu corpo seja uma equipe trabalhando todos os dias: cada pessoa tem uma função nas demandas diárias. Se o quadro de funcionários é reduzido, há um impacto considerável na operação. E é isso que acontece quando há restrição de nutrientes no organismo. 

Reduzir a quantidade de comida sem cuidar da qualidade pode fazer com que algumas das necessidades não sejam atendidas. 

Quais nutrientes merecem atenção? 

Durante o tratamento, alguns nutrientes podem exigir atenção especial, como: 

  • vitaminas D, B12, A, E, K, B1 e C 
  • folato 
  • ferro 
  • zinco 
  • cálcio 
  • magnésio 
  • proteínas 

Isso não significa que toda pessoa em tratamento terá deficiência desses nutrientes. A necessidade depende da alimentação, do tratamento e das características de cada pessoa. 

Como saber que o organismo carece de nutrientes? 

Cansaço fora do comum, queda de cabelo, pele seca, fraqueza muscular, cicatrização lenta, hematomas sem motivo aparente e unhas quebradiças podem indicar que algo não está indo bem. 

Esses sinais podem ter diferentes causas e, sozinhos, não confirmam uma carência nutricional. 

Se perceber alguma dessas mudanças, converse com a equipe de saúde que acompanha seu tratamento para solicitar exames e verificar se há necessidade de um cuidado extra.  

O que fazer para não deixar de comer ao longo do dia? 

Com o apetite reduzido, pode ser mais difícil consumir uma refeição grande. Uma estratégia para driblar isso é distribuir a alimentação ao longo do dia. 

Em cada refeição, priorize alimentos que contribuam com diferentes nutrientes.  

  • Proteínas como ovos, peixes, frango e leguminosas podem fazer parte dessa composição. 
  • Frutas, vegetais, grãos e fontes de gorduras, como azeite, abacate e castanhas, também contribuem para uma alimentação variada. 

Ter o apoio nutricional, com um plano alimentar individualizado, pode ajudar a entender como manter variedade e qualidade nos pratos, além de avaliar a necessidade de suplementação. 

Menos fome não significa deixar de comer 

Os medicamentos podem ajudar a reduzir o apetite, mas o organismo continua precisando de nutrientes para funcionar. 

Sendo assim, durante o tratamento, vale trocar a ideia de “quanto menos eu comer, melhor” por outra pergunta: como posso me alimentar bem mesmo com menos fome? 

Com acompanhamento profissional, pequenas refeições, variedade de alimentos e atenção aos sinais do corpo podem ajudar a manter esse cuidado ao longo do tratamento. 

 

Referências: 

The Physiology of Hunger. Fasano A. The New England Journal of Medicine. 2025;392(4):372-381. doi:10.1056/NEJMra2402679. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra2402679  

Nutritional Priorities to Support GLP-1 Therapy for Obesity: A Joint Advisory From the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and the Obesity Society. Mozaffarian D, Agarwal M, Aggarwal M, et al. The American Journal of Clinical Nutrition. 2025;122(1):344-367. doi:10.1016/j.ajcnut.2025.04.023. Disponível em: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0002-9165(25)00240-0  

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