Diet, zero ou light: qual é o melhor para quem tem diabetes?
Maiara Ferreira

Diante de uma prateleira do supermercado, você se depara com dezenas de produtos com palavras como “zero”, “diet” e “light” estampadas nas embalagens.
Por serem comercializados como itens mais saudáveis, a decisão é de já escolher essas opções para incluir na rotina de quem tem diabetes. Mas, na prática, a resposta costuma ser mais complexa do que isso.
Entender o que cada termo realmente significa evita que o marketing fale mais alto do que a informação nutricional.
O que significa cada um desses rótulos?
Apesar de parecerem semelhantes, “diet”, “light” e “zero” indicam coisas diferentes.
- Diet: produto formulado para dietas com restrição de algum nutriente específico. Muitas vezes, esse nutriente é o açúcar, mas também pode ser o sódio, a gordura ou outro ingrediente.
- Light: produto com redução de pelo menos 25% de algum nutriente (calorias, gorduras, açúcares, colesterol e sódio) em comparação com a versão original do produto.
- Zero açúcar: produto não possui açúcar adicionado e normalmente utiliza adoçantes em substituição.
- Zero adição de açúcar: produto em que o açúcar refinado não é adicionado durante a fabricação, mas que ainda pode conter açúcares naturalmente presentes nos ingredientes, como a frutose das frutas ou a lactose do leite.
Diet, light e zero não são sinônimos de “mais saudável”
Muitos produtos com essas denominações continuam sendo alimentos ultraprocessados, ricos em ingredientes artificiais, aditivos e compostos associados ao aumento do risco cardiometabólico quando consumidos com frequência.
Por isso, o manejo do diabetes não se resume a trocar um refrigerante tradicional por um refrigerante zero ou um biscoito recheado comum por uma versão diet.
Os protocolos nacionais de saúde e o Guia Alimentar para a População Brasileira orientam a priorização de alimentos in natura e minimamente processados. Além da redução do consumo de ultraprocessados, independentemente do rótulo estampado na embalagem.
O açúcar que se esconde no rótulo
Muitas vezes, a embalagem não traz a palavra “açúcar”, mas ele está presente.
O Ministério da Saúde alerta que o açúcar pode aparecer na lista de ingredientes com outros nomes, como:
- sacarose
- frutose
- xarope de milho
- xarope de malte
- maltodextrina
- açúcar invertido
Ler a lista de ingredientes e saber identificar esses ingredientes com atenção é a melhor forma de fazer escolhas conscientes.
Dica: quanto mais próximo do início da lista um ingrediente aparece, maior costuma ser a quantidade dele no produto.
Os adoçantes estão liberados?
Quem convive com diabetes pode usar adoçante no lugar do açúcar, mas a orientação é parecida com a que vale para o próprio açúcar: consumir com moderação.
O adoçante pode ser uma estratégia para reduzir o consumo de açúcar, mas é importante ter atenção ao risco de compensação: consumir mais doces ou outros alimentos mais calóricos por não se sentirem satisfeitas com o sabor do adoçante ou por acreditarem que, ao substituir o açúcar, têm mais liberdade para comer.
Quando isso acontece, o benefício da substituição tende a diminuir ou desaparecer.
Já para quem não tem diabetes, consumir adoçante não traz benefício nenhum à saúde. Pelo contrário: a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda o uso de adoçantes sem valor calórico como estratégia para manter o peso ou reduzir o risco de doenças crônicas no longo prazo.
Vale lembrar ainda que a maioria dos alimentos e bebidas industrializados que levam adoçante na fórmula são ultraprocessados. O ideal é evitar esse tipo de produto, mesmo quando a embalagem promete ser “zero” ou “diet”.
O que priorizar no dia a dia
A base do cuidado com o diabetes continua sendo simples:
- alimentos in natura e minimamente processados
- frutas, verduras, legumes e leguminosas
- grãos integrais e alimentos ricos em fibras
- água como principal bebida do dia, além de sucos e chás naturais (não adoçados)
Para quem busca variar o sabor da água, vale adicionar rodelas de limão, laranja, pepino ou folhas de hortelã.
No fim das contas, a melhor escolha quase nunca é o produto com a embalagem mais chamativa ou com a palavra “zero” em destaque.
Na maior parte das vezes, ela começa antes mesmo do rótulo: na escolha de alimentos mais próximos da sua forma natural.
Leia também: O que são alimentos orgânicos e por que são uma boa escolha
Referências:
Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas Diabetes Mellitus Tipo II (2026). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/d/diabete-melito-tipo-2.pdf/view
Araujo, MM et al. Dietary Guidelines for Adults with DM (2023). Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10218656/
American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes (2026)
Resolução de Diretoria Colegiada – RDC Nº 429, de 8 de Outubro de 2020





