Tireoide e hipotireoidismo: o que é, causas, sintomas e como tratar
Bianca Azevedo

Cansaço que não passa. Sono excessivo mesmo depois de uma noite inteira de descanso. Sensação constante de frio, unhas quebradiças, pele seca e aquele ganho de peso que parece inexplicável. Para muita gente, esses sinais são atribuídos à correria do dia a dia ou ao estresse. Mas eles podem ser um pedido de socorro de uma pequena glândula localizada no pescoço: a tireoide.
O que é a tireoide
A tireoide é uma glândula em forma de borboleta que fica na parte da frente do pescoço, logo abaixo do pomo de Adão. Ela pesa entre 12 e 20 gramas e, quando está em tamanho normal, nem conseguimos vê-la ou senti-la.
Apesar de pequena, essa glândula tem uma função gigantesca: produzir os hormônios tireoidianos T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que controlam a velocidade com que todas as funções químicas do corpo acontecem, ou seja, o metabolismo.
Esses hormônios influenciam praticamente tudo: a frequência cardíaca, a temperatura corporal, a velocidade com que queimamos calorias, o funcionamento do intestino, a fertilidade, o humor e até a memória.
Para produzir esses hormônios, a tireoide precisa de iodo, um mineral encontrado principalmente no sal de cozinha e em frutos do mar.
Como o corpo regula a tireoide
O funcionamento da tireoide é controlado por uma glândula no cérebro chamada hipófise. Ela produz o hormônio estimulante da tireoide, conhecido pela sigla TSH.
O TSH funciona como um termostato: quando a hipófise percebe que há pouco hormônio tireoidiano no sangue, ela aumenta a produção de TSH para estimular a tireoide a trabalhar mais. Quando há hormônio em excesso, a hipófise reduz o TSH.
Esse mecanismo é fundamental para entender como o hipotireoidismo é diagnosticado.
O que é o hipotireoidismo
O hipotireoidismo acontece quando a tireoide não produz quantidade suficiente de hormônios tireoidianos. Sem esses hormônios, todo o corpo desacelera.
É uma condição bastante comum, especialmente em mulheres mais velhas. A causa mais frequente é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o próprio sistema de defesa do corpo ataca a tireoide por engano.
Causas do hipotireoidismo
As principais causas incluem:
- Tireoidite de Hashimoto: doença autoimune e causa mais comum
- Cirurgia de remoção da tireoide ou tratamento com iodo radioativo
- Radioterapia na região do pescoço
- Falta de iodo: rara em países que adicionam iodo ao sal, mas ainda ocorre em algumas regiões pobres
- Problemas na hipófise: quando a glândula no cérebro não produz TSH suficiente, a tireoide deixa de ser estimulada
- Alguns medicamentos, como lítio e amiodarona
Sintomas do hipotireoidismo
Como os hormônios tireoidianos controlam o metabolismo, a falta deles faz o corpo funcionar em câmera lenta. Os sintomas podem aparecer de forma gradual e sutil, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico.
Os sinais mais comuns incluem:
- Cansaço e fraqueza
- Sensação constante de frio
- Ganho de peso leve
- Pele seca e áspera
- Cabelo fino e quebradiço
- Rosto inchado, especialmente ao redor dos olhos
- Voz rouca e fala mais lenta
- Redução da frequência cardíaca
- Confusão, esquecimento e depressão
Em idosos, os sintomas podem ser ainda mais vagos e incluir quedas, incontinência, confusão mental e dores musculares.
Como é feito o exame
O diagnóstico do hipotireoidismo é relativamente simples e feito por meio de exame de sangue. O médico geralmente solicita a dosagem do TSH, que é o exame mais sensível para avaliar a função da tireoide.
Se o TSH estiver alterado, o médico solicita também a dosagem do T4 livre, que é a fração ativa do hormônio tireoidiano.
Como interpretar os resultados
Entender os exames ajuda você a participar ativamente do seu tratamento. Veja o que cada resultado significa:
- TSH elevado + T4 livre baixo: hipotireoidismo manifesto. A tireoide está realmente falhando
- TSH elevado + T4 livre normal: hipotireoidismo subclínico. A tireoide ainda produz hormônio suficiente, mas está começando a falhar
- TSH baixo + T4 livre alto: hipertireoidismo. A tireoide está produzindo hormônio em excesso
- TSH baixo + T4 livre baixo: hipotireoidismo secundário. O problema está na hipófise, não na tireoide
Os valores de referência variam entre laboratórios, mas em geral consideram-se normais níveis de TSH entre 0,4 e 4,0 mU/L.
Tratamento
O tratamento do hipotireoidismo é simples e eficaz. Consiste na reposição do hormônio tireoidiano por meio de um comprimido chamado levotiroxina, que é uma versão sintética do T4.
A levotiroxina é o tratamento de primeira linha e deve ser tomada diariamente, em jejum, cerca de 30 a 60 minutos antes do café da manhã. É importante manter distância de 4 horas de suplementos de cálcio ou ferro, que podem interferir na absorção.
A dose é ajustada individualmente com base nos exames de TSH, que devem ser repetidos 6 a 8 semanas após o início do tratamento ou qualquer alteração de dose.
Na maioria dos casos, o tratamento é para a vida toda. Mas com a dose correta, a pessoa leva uma vida absolutamente normal.
Quando procurar ajuda
Se você sente cansaço persistente, ganho de peso inexplicável, sensação constante de frio ou qualquer um dos sintomas mencionados, procure um médico. Um simples exame de sangue pode identificar o problema e mudar completamente a sua qualidade de vida.
Outras perguntas frequentes sobre tireoide e hipotireoidismo
- 3. O que é hipotireoidismo subclínico?
É quando o TSH está elevado, mas o T4 livre ainda está normal. É um estágio inicial, que pode evoluir para hipotireoidismo ou não. - 2. Posso engravidar tendo hipotireoidismo?
Sim, mas é fundamental manter o tratamento e avisar o médico sobre a gravidez, pois a dose pode precisar de - 3. O hipotireoidismo tem cura?
Não tem cura, mas tem controle. O tratamento com levotiroxina repõe o hormônio que a tireoide não produz, eliminando os





