“E quando eu parar o medicamento?” — esse medo é mais comum do que parece.

fcsilveira

“E quando eu parar o medicamento?” — esse medo é mais comum do que parece.

Sentir insegurança sobre o que acontece depois do tratamento é uma preocupação legítima. Falar abertamente sobre ela — em vez de ignorá-la — é o que abre espaço para decisões mais conscientes e expectativas mais realistas. 

O peso pode voltar? 

Sim — e é importante dizer isso com clareza, sem alarmismo.

Assim como em qualquer processo de emagrecimento, o ganho de peso pode acontecer quando não há mudanças consistentes no estilo de vida. A medicação facilita o processo e potencializa resultados, mas não atua sozinha. Quando o uso é interrompido sem que novos hábitos tenham sido construídos ao longo do caminho, o corpo tende a retomar antigos padrões.

Estudos indicam que até dois terços do peso perdido podem ser recuperados em até um ano após a interrupção da medicação. Por isso, desenvolver hábitos que vão além do remédio é o que torna os resultados mais duradouros.

Como lidar com esse medo no dia a dia 

Reconhecer a preocupação é o primeiro passo — não para alimentá-la, mas para transformá-la em ação. Algumas atitudes simples criam uma base sólida para sustentar os resultados ao longo do tempo:

  • Respeite os sinais de fome e saciedade
  • Faça escolhas alimentares nutritivas e que caibam na sua rotina
  • Mantenha uma boa hidratação ao longo do dia
  • Busque uma atividade física que gere prazer — e pratique com regularidade
  • Evite comparações e reduza a autocrítica

Esses comportamentos não eliminam o risco de recuperar peso — mas constroem uma relação mais equilibrada e sustentável com a saúde.

Por que evitar dietas restritivas nesse momento 

O medo de ganhar peso pode levar a decisões impulsivas — como adotar dietas extremamente restritivas ou cobranças excessivas. Esse caminho costuma ter o efeito oposto: aumenta a ansiedade, reduz a sustentabilidade dos hábitos e eleva o risco do chamado efeito sanfona.

A alternativa mais eficaz é construir uma rotina possível — não perfeita.

Você não precisa passar por isso sozinho 

O acompanhamento profissional é um dos maiores aliados nessa transição. Médicos, nutricionistas e psicólogos podem ajudar a ajustar estratégias, alinhar expectativas e oferecer suporte para que a mudança de fase aconteça com mais segurança e menos ansiedade.

O cuidado com a saúde não termina com o medicamento — ele continua, de outras formas.

O apoio profissional é indispensável para tirar dúvidas e orientar cada pessoa de forma individualizada. Em caso de dúvidas, procure por um especialista para uma avaliação completa e personalizada.

Referência bibliográfica:
MOZAFFARIAN, Dariush et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 121, n. 6, p. 1234-1256, 2025. Disponível em: https://ajcn.nutrition.org/. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ajcnut.2025.04.023

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