Tem diabetes e vai começar o tratamento com caneta injetável? Veja o que é importante saber

Bianca Azevedo

Tem diabetes e vai começar o tratamento com caneta injetável? Veja o que é importante saber

Conviver com o diabetes já exige atenção. Adicionar um novo medicamento a essa rotina levanta dúvidas importantes — e faz todo sentido querer entender como ele age, o que monitorar e o que fazer se algo sair do esperado. 

Os medicamentos análogos ao GLP-1 — também conhecidos como canetas injetáveis — foram desenvolvidos para tratar a obesidade e o diabetes tipo 2. Além de ajudar na perda de peso, eles também atuam na forma como o corpo libera e usa a glicose, o que pode melhorar o manejo do diabetes.

Mas justamente por isso, o uso exige acompanhamento próximo: em pessoas que já fazem uso de insulina ou outros medicamentos para diabetes, as canetas podem aumentar o risco de queda do açúcar no sangue — a hipoglicemia.

Por que o acompanhamento médico é indispensável

Antes de começar o tratamento, converse com o profissional que cuida da sua saúde. Nenhuma mudança deve ser feita por conta própria.

O médico será responsável por:

  • Ajustar as doses dos medicamentos em uso
  • Revisar possíveis interações com insulina ou metformina
  • Definir a frequência ideal para monitorar a glicemia

Como fazer o acompanhamento da glicemia durante o tratamento

Nas primeiras semanas, o corpo passa por adaptações importantes. Acompanhar a glicemia com frequência — por testes de ponta de dedo ou sensores contínuos, conforme orientação médica — ajuda a identificar se o tratamento está adequado e a evitar sintomas de hipoglicemia.

Se o açúcar no sangue subir demais, o médico pode ajustar a alimentação ou rever o plano de medicamentos.

Hipoglicemia: como reconhecer e o que fazer

A hipoglicemia se dá quando o açúcar no sangue fica abaixo de 70 mg/dL. Em pessoas com diabetes, especialmente nas que usam insulina, ela pode ser comum. É importante ser reconhecida e tratada pois em casos mais graves pode haver desmaio ou convulsões.

Os principais sintomas são:

  • Tremores e suor frio
  • Fome repentina
  • Tontura
  • Batimentos acelerados
  • Visão embaçada
  • Confusão mental

O que fazer: consuma algo doce de rápida absorção — cerca de 15 gramas de carboidrato simples (uma colher de açúcar, uma bala macia, uma colher de mel ou meio copo de suco comum, não dietético).

Após 15 minutos, meça a glicemia novamente. Se ainda estiver abaixo de 70 mg/dL, repita. Quando voltar ao normal, faça um lanche leve — especialmente se a próxima refeição ainda demorar. Boas opções: uma fruta com aveia, um iogurte ou um pão integral com queijo.

Hipoglicemia severa: aja rápido

Quando a pessoa perde a consciência ou não consegue engolir, familiares, amigos ou colegas precisam agir imediatamente:

  1. Peça ajuda — não deixe a pessoa sozinha

  2. Use o kit de glucagon, se disponível — esse medicamento de emergência ajuda o corpo a aumentar o açúcar no sangue quando não é possível ingerir nada por via oral. Aplique seguindo as orientações do médico

  3. Após cerca de 15 minutos, verifique a glicemia novamente — se o nível continuar baixo, procure atendimento de urgência imediatamente

O apoio profissional é indispensável para tirar dúvidas e orientar cada pessoa de forma individualizada. Em caso de dúvidas, procure por um especialista para uma avaliação completa e personalizada.

Veja também: neste vídeo
Referência:
AMERICAN DIABETES ASSOCIATION Professional Practice Committee. 9. Pharmacologic approaches to glycemic treatment: Standards of Care in Diabetes — 2025. Diabetes Care, v. 48, Supplement 1, p. S181-S206, jan. 2025. DOI: 10.2337/dc25-S009. Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/article/48/Supplement_1/S181/157569/9-Pharmacologic-Approaches-to-Glycemic-Treatment?utm_source=chatgpt.com

Mais sobre Medicamentos