Quem tem diabetes precisa parar de comer carboidrato?
Maiara Ferreira

Receber um diagnóstico de diabetes ou pré-diabetes costuma vir acompanhado de uma preocupação quase automática: “vou ter que parar de comer carboidrato?”
É compreensível pensar assim. Afinal, o carboidrato é justamente o nutriente que mais influencia os níveis de glicose no sangue.
Mas a resposta é mais tranquila do que muita gente imagina.
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) mantém a recomendação de que quem convive com diabetes siga uma dieta balanceada com carboidratos, apenas com restrição de carboidratos simples ou refinados de rápida absorção.
O carboidrato não é o inimigo
Os carboidratos são a principal fonte de energia do organismo. É deles que o cérebro, os músculos e diversos órgãos retiram combustível para funcionar.
Por isso, eliminar completamente esse grupo alimentar pode ser maléfico para a maioria das pessoas, inclusive aquelas que convivem com diabetes.
Um estudo de dois anos comparando dieta pobre em carboidratos com uma rica em carboidratos de boa qualidade, por exemplo, chegou a resultados parecidos nos dois grupos.
Por isso, dietas muito restritivas como a cetogênica pedem cautela: não são indicadas para quem convive diabetes, ou para gestantes, lactantes, pessoas com doença renal crônica ou histórico de transtorno alimentar.
Quem usa insulina deve ajustar a alimentação com acompanhamento individual.
O que faz diferença no prato: o tipo certo de carboidrato
Nem todos os carboidratos se comportam da mesma forma no organismo.
Alguns chegam rapidamente à corrente sanguínea e provocam aumentos mais intensos da glicose. Outros são absorvidos mais lentamente e ajudam a manter níveis mais estáveis ao longo do dia.
De forma geral, vale priorizar:
- frutas inteiras, especialmente com casca quando possível
- feijões, lentilhas, grão-de-bico e outras leguminosas
- aveia e cereais integrais
- verduras e legumes
- sementes e oleaginosas
Para te ajudar, veja uma lista de alimentos nutritivos para incluir na rotina de cuidados com o diabetes.
As fibras são grandes aliadas da glicemia
As fibras ajudam a desacelerar a absorção dos carboidratos e reduzem os picos de açúcar após as refeições.
- Fibras solúveis: presentes na aveia, no feijão e em diversas frutas, ajudam a tornar a absorção da glicose mais gradual.
- Fibras insolúveis: encontradas nos vegetais e nos grãos integrais, aumentam a saciedade e contribuem para o manejo do peso corporal.
A recomendação geral é consumir pelo menos 25 gramas de fibras por dia.
Comer proteína e gordura junto ao carboidrato na mesma refeição ajuda a segurar o pico de açúcar no sangue.
Isso acontece porque proteínas e gorduras demoram mais tempo para serem absorvidas, o que retarda a chegada da glicose na corrente sanguínea.
Vejas estas dicas de alimentação para o dia a dia:
- Para almoço e lanches, combine salada (fonte de fibras) com carne (fonte de proteínas e gorduras).
- Na hora de comer frutas, experimente acrescentar outros grupos alimentares, como aveia (rica em fibra solúvel), iogurte natural (fonte de proteína e gordura) e oleaginosas como castanhas e amêndoas (proteína e gordura boa).
Confira 6 receitas práticas e ricas em fibras para seu café da manhã ou lanche da tarde.
Então o açúcar está proibido?
Não necessariamente. O manejo atual do diabetes não é baseado em listas de proibições, mas na qualidade da alimentação como um todo.
O maior cuidado costuma estar com bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, que concentram grandes quantidades de açúcar e oferecem poucos nutrientes em troca.
Itens que devem aparecer com menos frequência na rotina:
- refrigerantes
- bebidas adoçadas (sucos de caixinha, achocolatados e energéticos)
- doces industrializados (chocolates, biscoitos recheados e balas de goma)
- produtos ultraprocessados (macarrão instantâneo, salgadinhos de pacote e barras de cereal)
Refrigerantes, bebidas adoçadas, doces industrializados e produtos ultraprocessados devem aparecer com menos frequência na rotina.
Equilíbrio costuma funcionar melhor do que restrição
Conviver com diabetes não significa viver de dieta restritiva ou renunciar aos alimentos que você gosta.
Na prática, o cuidado está em construir uma alimentação equilibrada, variada e possível de manter ao longo do tempo.
Porque, quando o assunto é diabetes, consistência costuma trazer resultados melhores do que mudanças radicais.
Referências
American Diabetes Association and European Association for the Study of Diabetes. Management of Hyperglycemia in Type 2 Diabetes (2022). Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10008140/
American Diabetes Association. Standarts of Care in Diabetes (2026)
Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas Diabetes Mellitus Tipo II (2026). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/d/diabete-melito-tipo-2.pdf/view
Araujo, MM et al. Dietary Guidelines for Adults with DM (2023). Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10218656/





