O impacto do excesso de peso no corpo

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O impacto do excesso de peso no corpo

Quando o peso corporal muda, nem sempre a primeira preocupação é a saúde. Para muitas pessoas, a atenção fica concentrada na aparência ou no número que aparece na balança. Mas o impacto do excesso de peso vai muito além disso. 

O tecido adiposo (gordura) participa de diferentes processos do organismo. Quando há um acúmulo excessivo, essas alterações podem repercutir em vários sistemas do corpo e aumentar o risco de outras condições de saúde. 

Por isso, falar sobre excesso de peso não é apenas falar sobre emagrecimento. É também entender como a obesidade pode afetar o organismo e por que o acompanhamento da saúde como um todo é importante. 

Como o excesso de peso afeta o organismo? 

Os efeitos não acontecem necessariamente da mesma forma ou na mesma intensidade para todas as pessoas. Entre as possíveis repercussões estão: 

  • Metabolismo: o excesso de gordura pode dificultar a ação da insulina e aumentar o risco de diabetes tipo 2. 
  • Fígado e rins: pode favorecer o acúmulo de gordura no fígado, alterações do colesterol e problemas renais. 
  • Coração e vasos sanguíneos: está associado a maior risco de pressão alta, insuficiência cardíaca e infarto. 
  • Articulações: joelhos, quadris e outras estruturas que sustentam o corpo podem ficar sobrecarregadas, favorecendo dor e dificuldade para se movimentar. 
  • Respiração e sono: pode favorecer o refluxo e dificultar a respiração, inclusive durante o sono, com ocorrência de pausas respiratórias.  

Perceba que esses efeitos estão conectados. Uma alteração pode contribuir para outra, fazendo com que o cuidado precise considerar o organismo de forma integrada. 

  • Dificulta o uso adequado da insulina, elevando o risco de diabetes tipo 2. 
  • Favorece o acúmulo de gordura no fígado, o colesterol alto e problemas nos rins. 
  • Aumenta o risco de pressão alta, insuficiência cardíaca e infarto. 
  • Sobrecarrega articulações que sustentam o peso do corpo, como joelhos e quadris, gerando dor e dificultando a movimentação. 
  • Pode favorecer o refluxo e dificultar a respiração, incluindo pausas respiratórias durante o sono. 

Quando diferentes condições aparecem juntas 

O impacto da obesidade também pode ser percebido na quantidade de condições de saúde que podem coexistir. 

Estudos mostram que pessoas com obesidade apresentam maior chance de desenvolver quatro ou mais condições relacionadas ao mesmo tempo. Entre elas estão diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, problemas cardiovasculares, asma, pedras na vesícula, desgaste das articulações e dores na região lombar. 

Entre as mulheres, a associação mais forte identificada nesse estudo foi com o diabetes tipo 2. 

Esse cenário ajuda a entender por que o acompanhamento não deve olhar apenas para o peso. Pressão arterial, glicemia, colesterol, mobilidade, sono e outros aspectos da saúde também merecem atenção. 

A saúde emocional também faz parte desse cuidado 

Os impactos da obesidade não ficam restritos ao funcionamento do organismo. 

Pessoas com excesso de peso e obesidade podem enfrentar estigma e discriminação relacionados ao tamanho do corpo. Essas experiências podem afetar a qualidade de vida e o bem-estar emocional. 

Por isso, qualquer abordagem de cuidado precisa considerar não apenas mudanças físicas, mas também a maneira como a pessoa se sente e se relaciona com o próprio corpo. 

Cuidar não é apenas buscar um número na balança 

Entender os possíveis impactos do excesso de peso não significa olhar para o corpo com preocupação ou culpa. Significa ter mais informação para reconhecer quando é hora de buscar acompanhamento. 

O cuidado pode envolver diferentes profissionais de saúde, de acordo com as necessidades de cada pessoa. A avaliação individualizada ajuda a identificar os fatores de risco presentes e a definir os caminhos mais adequados. 

O primeiro passo não precisa ser uma mudança radical. Pode ser entender melhor o que está acontecendo com o seu corpo e buscar apoio para cuidar dele. 

 

Referências: 

Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade: Departamento de Nutrição da ABESO – 2022. Pepe RB, Lottenberg AMP, Fujiwara CTH, Beyruti M, coordenadores. São Paulo: ABESO; 2022. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2022/11/posicionamento_2022-alterado-nov-22-1.pdf. 
Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2025 
Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose, Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2025 
Obesity in Adults. Lingvay I, Cohen RV, Roux CWL, Sumithran P. Lancet (London, England). 2024;404(10456):972-987. doi:10.1016/S0140-6736(24)01210-8. 
Obesity Management in Adults: A Review. Elmaleh-Sachs A, Schwartz JL, Bramante CT, et al. JAMA. 2023;330(20):2000-2015. doi:10.1001/jama.2023.19897. 
Body-Mass Index and Risk of Obesity-Related Complex Multimorbidity: An Observational Multicohort Study. Kivimäki M, Strandberg T, Pentti J, et al. The Lancet. Diabetes & Endocrinology. 2022;10(4):253-263. doi:10.1016/S2213-8587(22)00033-X. 
The Incidence of Co-Morbidities Related to Obesity and Overweight: A Systematic Review and Meta-Analysis. Guh DP, Zhang W, Bansback N, et al. BMC Public Health. 2009;9:88. doi:10.1186/1471-2458-9-88. 

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