Conjuntivite: um olho vermelho que pede atenção

Camila Rubim

Conjuntivite: um olho vermelho que pede atenção

O olho vermelho, coçando e com uma sensação de areia incômoda. Esses são os sinais clássicos de um dos problemas oculares mais comuns: a conjuntivite. A inflamação da conjuntiva (a membrana que reveste o olho e o interior das pálpebras) pode ter diversas origens, e entender cada uma é crucial para o tratamento correto. 

Os três principais vilões da conjuntivite 

  1. Conjuntivite viral: a mais comum e contagiosa: Responsável pela maioria dos casos, a viral é extremamente transmissível. Muitas vezes, ela vem acompanhada de gripes e resfriados, pois o mesmo vírus que afeta as vias respiratórias pode atacar os olhos. A principal característica é a secreção aquosa e a sensação de ardência. Geralmente, o quadro dura de 4 a 7 dias e o tratamento foca em aliviar o desconforto com compressas frias e lágrimas artificiais.
  2. Conjuntivite bacteriana: a inimiga da secreção amarelada: Diferente da viral, a conjuntivite bacteriana produz uma secreção mais espessa, geralmente amarelada ou esverdeada, que pode fazer as pálpebras grudarem durante o sono. É causada por bactérias e, por isso, o tratamento exige o uso de colírios ou pomadas com antibióticos, prescritos por um oftalmologista. 
  3. Conjuntivite alérgica: a reação do organismo: Esta não é contagiosa. Ela acontece quando os olhos entram em contato com um alérgeno, como pólen, poeira, pelos de animais ou mofo. A coceira intensa e o lacrimejamento são os sintomas mais marcantes. O tratamento envolve o afastamento do agente causador e o uso de colírios antialérgicos. 

Sintomas: como identificar 

Independentemente do tipo, alguns sinais são comuns: 

  • Vermelhidão intensa nos olhos. 
  • Inchaço nas pálpebras. 
  • Sensação de corpo estranho (areia ou cisco) nos olhos. 
  • Lacrimejamento excessivo. 
  • Visão embaçada. 

Prevenção: o melhor remédio 

A transmissão da conjuntivite viral e bacteriana ocorre principalmente pelo contato com as secreções. Por isso, a prevenção é a arma mais poderosa. 

  • Higiene é a palavra de ordem: lave as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente antes de tocar os olhos. Isso é fundamental para evitar levar o vírus ou bactérias do ambiente para a sua mucosa ocular. 
  • Não compartilhe itens pessoais: toalhas, fronhas, maquiagem (principalmente rímel e delineador) e colírios são veículos perfeitos para a contaminação. Cada pessoa deve ter seus próprios itens. 
  • Cuidado com ambientes coletivos: em caso de surtos, evite aglomerações e, se possível, piscinas e clubes, onde a transmissão é mais fácil. 
  • Limpeza dos olhos: ao acordar, com as pálpebras grudadas, use um algodão umedecido com soro fisiológico para limpar suavemente os olhos, sempre de dentro para fora, e descartando o algodão após cada uso. 

Diagnóstico e tratamento: sempre com o especialista 

Qualquer suspeita de conjuntivite exige uma consulta com um oftalmologista. Só ele poderá diagnosticar o tipo correto e prescrever o tratamento adequado. A automedicação com colírios pode mascarar os sintomas e até piorar o quadro, especialmente em infecções bacterianas, se o remédio não for o específico. 

 

Fontes 

Dr. Hallim Feres Neto, médico oftalmologista membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa, da International Society of Refractive Surgery e da American Academy of Ophthalmology. 

Ministério da Saúde 

Clínica André Príncipe – Oftalmologia de Referência 

Rede D’Or São Luiz 

Hospital de Olhos de São Paulo 

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