Dor de dente: muito além de uma simples sensibilidade

Camila Rubim

Dor de dente: muito além de uma simples sensibilidade

Quem nunca sentiu aquele incômodo agudo ao morder algo mais duro ou ao tomar um sorvete? A dor de dente é um sinal claro de que algo não vai bem na sua saúde bucal, e ignorá-la pode transformar um pequeno problema em um tratamento de canal ou até na perda do dente. 

As origens da dor: um mapa da dor 

A dor nos dentes não é um fenômeno único. Ela pode se manifestar de diversas formas, cada uma apontando para uma causa diferente. Conhecer esses “tipos” de dor é o primeiro passo para entender a gravidade do problema: 

  • dor aguda e passageira: geralmente, é uma sensibilidade ao frio, calor ou doces. Pode indicar o início de uma cárie, uma pequena trinca no esmalte ou até mesmo retração gengival que expôs a raiz do dente. 
  • dor latejante e constante: quando a dor parece vir do fundo do dente, pulsando e sem alívio, o sinal de alerta é máximo. Isso geralmente indica uma pulpite, que é a inflamação da polpa dentária (o “nervo” do dente). Se não tratada, a polpa pode necrosar, levando a um abscesso. 
  • dor localizada e ao toque: se a dor é sentida em um ponto específico ao mastigar, pode ser uma fratura no dente, uma cárie profunda ou até um problema nas gengivas, como uma periodontite. 
  • dor na região do siso: a dor no fundo da boca, especialmente na gengiva que cobre o dente do siso, sugere uma pericoronite, uma inflamação causada pela dificuldade de erupção do dente. 

Tratamento: da restauração ao canal 

Não existe um tratamento único para a dor de dente. A solução depende diretamente da causa: 

  • para cáries e lesões: o tratamento é a remoção da parte cariada ou danificada e a restauração do dente com resina ou outros materiais. 
  • para sensibilidade e retração gengival: o foco é proteger a raiz exposta. Em casos leves, cremes dentais dessensibilizantes e restaurações podem ajudar. Em casos mais graves, um procedimento chamado recobrimento radicular, feito por um periodontista, pode ser necessário. 
  • para pulpite e infecções: quando a polpa do dente é afetada, o tratamento de canal (endodontia) é a única maneira de salvar o dente, removendo o tecido inflamado e selando o interior do dente. 
  • para bruxismo: se a dor é causada por ranger os dentes, o tratamento não é no dente em si, mas na causa. O uso de uma placa de mordida e técnicas de relaxamento são essenciais para aliviar a pressão e a inflamação nos dentes. 

Prevenção: a melhor “dor” é a que não se sente 

A frase “prevenir é melhor que remediar” nunca foi tão verdadeira. A boa notícia é que a maioria das causas de dor de dente pode ser evitada com hábitos simples: 

  1. a dupla imbatível: escova + fio dental: a escovação remove a placa da superfície dos dentes, mas o fio dental é o único que limpa o que a escova não alcança: o espaço entre os dentes e a linha da gengiva, onde a maioria das cáries se forma. 
  2. visitas regulares ao dentista: não espere sentir dor. Consultas a cada seis meses permitem que o dentista detecte problemas em estágio inicial, como cáries minúsculas, antes que se tornem uma dor de dente insuportável. 
  3. hábitos alimentares: evite o consumo excessivo de açúcares e ácidos, que atacam o esmalte dentário. E, se você pratica esportes, o uso de protetor bucal pode prevenir traumas e fraturas. 

A dor de dente é um chamado para a ação. Ao primeiro sinal, procure um cirurgião-dentista. Lembre-se: a automedicação pode aliviar o sintoma, mas a causa continua lá, podendo evoluir para um quadro muito mais grave e caro de resolver. 

Fonte:  

Dra. Talita Dantas, cirurgiã dentista e doutora em Reabilitação Oral. 

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