Doenças inflamatórias intestinais: conheça as principais e suas causas
Fernanda Lima

Desconforto abdominal, gases, cólicas ou mudanças no funcionamento do intestino, são sintomas comuns para muita gente. Entretanto, esses sinais podem indicar problemas mais sérios, como colite ulcerativa e doença de Crohn. As doenças inflamatórias intestinais são condições crônicas, ou seja, sem cura. Elas afetam cerca de 5 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP). Somente no Brasil, a doença registrou um aumento de 15% ao ano.
Afinal, o que são as doenças inflamatórias intestinais?
Doença inflamatória intestinal (DII) é um termo genérico usado para descrever distúrbios que envolvem inflamação crônica do trato digestivo. “A DII é uma resposta inflamatória exacerbada aos microorganismos presentes dentro do intestino, e podem ser desencadeadas em momentos de estresse ou outras doenças que desequilibram o sistema imunológico. Além disso, possui relação estreita com a hereditariedade, mais do que fatores ambientais ou sociais”, explica o Dr. André Ibrahim David, cirurgião geral e diretor clínico do Hospital Samaritano Higienópolis.
Os principais tipos de DII são:
Colite ulcerativa: condição que envolve inflamação e feridas (úlceras) ao longo do revestimento superficial do intestino grosso (cólon) e do reto.
Doença de Crohn: é caracterizada pela inflamação do revestimento do trato digestivo, que muitas vezes pode envolver as camadas mais profundas.
Sintomas das doenças intestinais
De acordo com o médico, os principais sintomas são dores abdominais, como cólica de forte intensidade e alterações do hábito intestinal, incluindo diarreia ou intestino preso.
A Doença de Crohn também pode causar sangramento retal, bem como febre e perda de apetite. Já a cocolite causa sintomas parecidos com os da Doença de Crohn, incluindo diarreia sanguinolenta, eliminação de muco, cólicas abdominais e urgência para evacuar.
Alguns fatores podem agravar os sintomas, como uma dieta rica em carboidratos e gorduras, estresse, desequilíbrio da microbiota intestinal e baixa imunidade. Dessa forma, o mais importante durante o tratamento de uma DII são os hábitos alimentares.
Como diagnosticar?
A princípio, o diagnóstico é realizado através da história clínica, exame físico e de imagem, incluindo tomografia, ressonância de abdome e colonoscopia.
“A maioria dos estudos mostram uma maior incidência no sexo feminino, mas há estudos que mostram maior incidência da colite no sexo masculino. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico das doenças, melhor será seu tratamento e mais positivo será o desfecho na vida do paciente”, afirma o cirurgião.
Tratamento das doenças inflamatórias intestinais
A DII não tem cura, mas seu tratamento visa a melhorar os sintomas como, dor, prisão de ventre e diarreia. Normalmente, os pacientes precisam fazer mudanças na alimentação e no estilo de vida, além de fazer uso de medicamentos. Vale reforçar, ainda, que o paciente pode passar longos períodos sem manifestações clínicas, mas o problema sempre pode retornar, tanto por distúrbios intestinais quanto por fatores emocionais.
Para o tratamento, podem ser receitados medicamentos moduladores da função intestinal, antibióticos e anti-inflamatórios tópicos da mucosa intestinal, assim como medicamentos imunomoduladores e biológicos nos casos mais graves. Para aliviar as dores, analgésicos e anti-espoasmódicos também estão indicados, além de cirurgia nos casos de complicações graves, como obstruções ou fístulas.
Principais alimentos a serem evitados:
- Comidas gordurosas;
- Álcool;
- Cafeína;
- Açúcar;
- Produtos com sorbitol (como balas sem açúcar e chicletes);
- Vegetais que aumentam a produção de gases (como feijão, repolho e batata doce);
- Leite e derivados;
- Alimentos picantes ou com muitos conservantes.
Outras recomendações
- Faça uma lista dos alimentos que possam estar associados ao aparecimento das crises e evite-os;
- Adote uma dieta com baixo teor de gordura e rica em fibras, mas cuidado com os vegetais que aumentam a produção de gases, como repolho, couve-flor, batata doce e feijão, por exemplo;
- Evite ingerir bebidas alcoólicas e as que contêm cafeína;
- Procure não mascar chicletes nem chupar balas que contenham sorbitol;
- Pratique exercícios físicos;
- Não fume;
- Técnicas terapêuticas, como a psicoterapia e o relaxamento, por exemplo, podem trazer benefícios.
Fonte: Dr. André Ibrahim David, cirurgião geral e diretor clínico do Hospital Samaritano Higienópolis.
Referências:
Biblioteca de Saúde – Ministério da Saúde





