Herpes e doença autoimune: existe alguma relação entre eles?

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Herpes e doença autoimune: existe alguma relação entre eles?

Responsável pela defesa do corpo humano, a imunidade é um mecanismo que tem total relação com o surgimento do herpes zoster, uma vez que a manifestação da doença costuma ocorrer diante de uma queda do sistema imunológico. Dito isso, levanta-se uma dúvida: existe alguma relação entre o herpes e doença autoimune?

O que é doença autoimune?

As doenças autoimunes são diferentes quadros de saúde que acontecem a partir de uma reação do sistema imunológico.

O clínico geral e especialista em medicina preventiva, Carlos Machado, explica:

“As doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico confunde alguma parte do corpo como sendo um órgão ou uma célula estranha e, diante disso, começa a criar anticorpos contra eles. O sistema imunológico começa a agredir a ele mesmo, achando que aquela parte não pertence ao corpo dele.”

Além disso, ainda de acordo com o médico, geralmente essas doenças são sistêmicas, ou seja, afetam todo o corpo humano, ao invés de apenas um órgão ou região.

Apesar de existir mais de 50 tipos de doenças autoimunes, as mais conhecidas são:

  • Lúpus;
  • Artrite reumatoide;
  • Doença de Crohn;
  • Vitiligo;
  • Psoríase;
  • Diabetes tipo 1;
  • Esclerose múltipla;
  • Doença celíaca;
  • Tireoidite de Hashimoto;
  • Síndrome de Sjögren.

Herpes e doença autoimune: afinal, qual é a relação?

De acordo com o neurologista Leonardo de Sousa Bernardes, de fato existe um aumento da manifestação do herpes zoster nos pacientes com doença autoimune.

Um dos motivos, segundo ele, é o uso de alguns medicamentos voltados para estes quadros.

“No caso de algumas doenças autoimunes, como a artrite reumatoide e a doença do Crohn, por exemplo, os pacientes precisam usar remédios que reduzem a imunidade, levando à maior probabilidade de desenvolver o problema”, ele explica.

Já de acordo com Carlos Machado, há ainda a influência da saúde emocional na queda da imunidade e, consequentemente, a manifestação do herpes.

“Todas essas doenças autoimunes interferem no sistema emocional e o sistema emocional também interfere com essas doenças. Portanto, tudo facilita o aparecimento do herpes zoster.”

Prevenção e tratamento para herpes zoster

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, os principais objetivos do tratamento para herpes zoster são “limitar a extensão, duração e gravidade da doença em sua fase aguda e aliviar a neuralgia pós-herpética, com uso de analgésicos e drogas antivirais, que devem ser iniciados precocemente”.

No caso do aparecimento de lesões no rosto, especificamente no nariz e olhos, é necessário procurar um médico imediatamente, “pois pode ser necessária internação para medicação venosa, a fim de evitar complicações como cegueira ou meningite.”

Já quanto a prevenção da doença, foi aprovada recentemente pela Anvisa a nova vacina do herpes zoster, com mais de 97% de eficácia contra o vírus do herpes — antes, o nível de proteção era aproximadamente 70%.

“A vacina que é bem interessante justamente para esse público que tem doenças autoimunes e também para o público idoso. Ela está disponível na rede privada e, por enquanto, é a nossa melhor opção para evitar herpes zoster”, afirma o neurologista.

Ainda de acordo com a SBD, a vacina é indicada para pessoas com mais de 50 anos e reduz o risco de ocorrência da doença em cerca de 50%.

Por fim, Carlos Machado também aponta a importância de manter consultas médicas regulares para acompanhar quaisquer mudanças na saúde e controlar o quadro.

“Não adianta fazer check-up uma vez por ano, nem ir à consulta só quando tiver alguma dor. É necessário fazer consulta médica duas, três vezes ao ano, porque o corpo muda, os exames podem ter alterações, muita coisa subliminar escondida pode estar acontecendo… Então, indo duas ou três vezes ao ano, ele poderá detectar doenças que você não percebeu ainda.”

Fontes: Leonardo de Sousa Bernardes, neurologista com especialização em Neuro-Oncologia do Hospital Albert Sabin; Carlos Machado, professor e clínico geral especialista em Medicina Preventiva; Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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