
Tipos de herpes: veja os principais e como se prevenir
GSK

Certamente você já ouviu falar em herpes, que é um vírus muito comum entre a população. Entretanto, o que muitas pessoas não sabem é que existem diversos tipos de herpes, cada qual com suas características, sintomas e formas de transmissão predominantes. A seguir, conheça os principais e como se proteger.
Principais tipos de herpes
Para se ter uma ideia, existem oito tipos diferentes de vírus na família do herpes. Dentre eles, destacam-se o tipo 1, 2 e 3, que provocam lesões na pele. Saiba mais:
Herpes tipo 1
Eduardo Sellan Lopes Gonçales, sócio e infectologista da Infectoria, explica que o vírus tipo 1 tende a causar mais lesões orais e nas mucosas. “Geralmente os sintomas da primeira infecção surgem como gengivites ou estomatites, acompanhadas de ínguas no pescoço e febre. Já as manifestações seguintes são mais brandas, com feridas nos lábios e no rosto”, afirma.
Uma curiosidade é que o vírus permanece para sempre na enervação por onde entrou. Em alguns casos, a pessoa vive sem saber que carrega o vírus, que fica latente; em outros, surgem as tais lesões. Elas costumam arder, coçar e formar pequenas bolhinhas com líquido que estouram com facilidade, mas que cicatrizam depois de alguns dias. Às vezes, uma leve febre pode surgir nesse período. Por fim, você deve estar se perguntando como se contrai esse vírus. A princípio, o contato com o tipo 1 ocorre ainda na infância, por meio de secreções da saliva. Por exemplo, beijo, tosse, espirro, respiração, dividir talheres… Dessa forma, é fácil adquirir o herpes, mas isso não quer dizer que todo mundo terá os sintomas da doença.
Herpes tipo 2
Ao contrário do primeiro, esta versão do herpes se desenvolve nas genitais. De acordo com Gonçales, as lesões na área íntima são bem parecidas com as do rosto e com os mesmos incômodos. Ardência, vermelhidão e as finas bolhas aparecem nas genitais, incluindo ânus e virilha. Como resultado, é normal sentir dificuldades para urinar ou evacuar, devido às inflamações. “Nada impede que o herpes tipo 1 ocorra nas genitais ou o 2, no rosto. Mas cada um possui uma adaptação maior a uma área ou outra. A grande diferença é que o herpes nas genitais prevalece em quem sofre com episódios recorrentes da infecção”, acrescenta o infectologista. Nessa situação, as feridas podem demorar um pouco mais para cicatrizar — cerca de 3 a 4 semanas, por conta da sensibilidade do local.
Tipo 3 (herpes zoster)
O herpes zoster ou cobreiro é uma doença causada pelo varicela zoster, também responsável pela catapora. Ou seja, ele é causado pela reativação do vírus da catapora, que se aloja no organismo por toda a vida, assim como os seus “parentes”. A erupção possui o mesmo padrão com o formato de pequenas bolhas, mas é unilateral e segue o trajeto de um nervo. As microbolhas se dissecam e formam-se crostas até que a pele cicatrize completamente em 4 semanas ou mais.
A incidência é maior em pessoas com mais de 50 anos e, dos tipos de herpes citados aqui, este é o mais agressivo, pois a dor é intensa e proporcional a um choque elétrico. Além disso, a neuralgia pós-herpética é uma complicação típica do herpes zoster, afetando até 30% dos pacientes. Esta condição é uma dor prolongada, que pode durar anos. Outra sequela da infecção pode recair sobre os olhos: até 25% das pessoas que sofreram um quadro do herpes zoster tem algum tipo de lesão visual e, em situações raras, a perda da capacidade de enxergar.
Por que pegamos herpes?
O herpes é um vírus que se aproveita do sistema imunológico enfraquecido. “Essa queda na imunidade tem muitos motivos: estresse, alterações hormonais, uso de medicamentos… Então, se conseguirmos identificar o fator que gera a infecção, especialmente as de repetição, fica mais fácil de controlar as crises”, alega Gonçales. Associadas à imunidade, estão as oportunidades de transmissão. O tipo 1 normalmente se dissemina por meio da saliva; o 2, especialmente durante as relações sexuais; e o 3 se apresenta nos indivíduos que tiveram catapora.
Existe tratamento para estes tipos de herpes? Dá para se prevenir?
Felizmente, todas as enfermidades têm tratamento. Eduardo Gonçales menciona que a linha de cuidados inclui o uso de antivirais em forma de pomada ou comprimido, e auxiliam na abreviação do ciclo do vírus. “Em quadros recorrentes [com mais de 3 crises ao ano] , podemos fazer um tratamento preventivo com antiviral por 4 a 6 meses para reduzir ou impedir essa frequência”, conclui.
Quanto à prevenção, não existe uma vacina específica para os herpes dos tipos 1 e 2, e por serem vírus muito presentes no dia a dia, pode ser difícil driblá-los. Mas os cuidados com a higiene e o uso de preservativo durante as relações sexuais são recomendações importantes para evitar as infecções. Por outro lado, é possível prevenir o herpes zoster. Recentemente, o Brasil recebeu a Shingrix, um imunizante aprovado pela Anvisa com mais benefícios de proteção. A novidade possui 97% de eficácia em relação à vacina anterior, que contava com aproximadamente 70%. Outra vantagem da nova vacina do herpes zoster é a durabilidade: a versão atual oferece 10 anos de imunização contra 3 anos do imunizante antigo.
A princípio, a Shingrix é destinada a adultos acima de 50 anos. Todavia, pessoas imunossuprimidas a partir de 18 anos também podem se beneficiar das duas doses, desde que haja prescrição médica. Ao tomar a vacina, evitam-se uma ou novas crises do herpes zoster e suas complicações.
Fonte: Eduardo Sellan Lopes Gonçales, sócio e infectologista da Infectoria.
Referências:
- YAWN, Barbara P. GILDEN,Don. The global epidemiology of herpes zoster. Neurology, v.81,n.10,p.928-930,2013.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Prevention of herpes zoster: recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). MMWR, v. 57, RR-5, p. 1-30, 2008.
- KATZ, J.; MELZACK, R. Pain control in the peroperative period, measurement of pain. Surg Clin North Am, v. 79, n. 2, p. 231-52, 1999.
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Herpes(cobreiro). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/herpes-cobreiro-1/herpes-cobreiro.
- KAWAI, K.; GEBREMESKEL, B. G.; ACOSTA, C. J. Systematic review of incidence and complications of herpes zoster: Towards a global perspective. BMJ Open, v. 4, n. 6, 2014.
- ERSKINE, N. et al. A systematic review and meta-analysis on herpes zoster and the risk of cardiac and cerebrovascular events. PLoS ONE, v. 12, n. 7, 2017.
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