
Espinheira-Santa: a planta brasileira que cura o estômago
Isabelle Macedo Cabral

Nas encostas úmidas das florestas do Sul e Sudeste do Brasil, cresce uma planta de folhas coriáceas e bordas espinhosas que carrega uma reputação secular: a Espinheira-Santa (Maytenus ilicifolia).
Longe de ser apenas mais um “chazinho da vovó”, essa espécie nativa é um dos maiores casos de sucesso da fitoterapia nacional, com eficácia comprovada em dezenas de estudos e reconhecimento formal pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A seguir, te contamos para que ela realmente serve e os alertas essenciais para quem quer usá-la.
A “planta do estômago”
A Espinheira-Santa é possivelmente a planta medicinal brasileira com maior quantidade de evidências científicas para problemas gástricos. Seus princípios ativos, como os taninos e os polifenóis, têm uma ação tríplice: protegem a mucosa do estômago, inibem a secreção ácida excessiva e combatem a bactéria H. pylori, uma das causadoras da gastrite e da úlcera.
Benefícios comprovados
A Anvisa aprovou o uso da Espinheira-Santa para alívio de queimação e dor no estômago, indigestão e gastrite. O compêndio de Fitoterapia da Farmácia Viva do Ministério da Saúde também endossa suas propriedades.
Estudos clínicos (com humanos) e pré-clínicos (em laboratório) demonstraram que a planta:
- Tem Ação Antiulcerogênica: Forma uma barreira protetora sobre a mucosa gástrica, defendendo-a do ácido clorídrico e de medicamentos agressivos, como anti-inflamatórios.
- Auxilia no Controle da H. pylori: Embora não erradique a bactéria sozinha, tem efeito inibitório, podendo ser um coadjuvante no tratamento convencional com antibióticos.
- Possui Efeito Antiácido e Digestivo: Alivia a sensação de queimação e empachamento após as refeições.
Como usar corretamente: receita de chá
A forma mais comum é o chá por infusão:
- Medida: Utilize 1 colher de sopa de folhas secas (ou 2 a 3 folhas frescas) para 1 xícara (200ml) de água fervente.
- Preparo: Despeje a água fervente sobre as folhas, abafe por 5 a 10 minutos e coe.
- Posologia: A indicação tradicional é tomar 1 xícara, de 2 a 3 vezes ao dia, 20 a 30 minutos antes das refeições principais. O uso não deve ultrapassar 4 semanas seguidas sem reavaliação.
Também estão disponíveis no mercado extratos secos em cápsulas, que oferecem dosagem padronizada e maior praticidade. Neste caso, siga rigorosamente a orientação do fabricante ou de um profissional de saúde.
Importante: O chá deve ser preparado fresco a cada uso. Evite guardar de um dia para o outro.
Quando NÃO usar e efeitos adversos
Apesar de natural, a Espinheira-Santa é um medicamento e tem contraindicações sérias.
- Gestantes e Lactantes: O uso é proibido. A planta possui propriedades abortivas e pode causar malformações no feto, além de passar para o leite materno.
- Crianças: Não é recomendada para menores de 12 anos sem supervisão médica.
- Interações Medicamentosas: Pode potencializar ou interferir na ação de outros remédios. Quem toma medicamentos controlados, como para pressão, diabetes ou anticoagulantes, deve consultar um médico antes.
- Efeitos Colaterais: Em uso prolongado ou em pessoas sensíveis, pode causar constipação (prisão de ventre) devido ao alto teor de taninos. Em raros casos, pode haver náusea.
Fontes:
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Formulário de Fitoterápicos da Farmácia Viva (Ministério da Saúde)
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