Atividade física depois da perda de peso: por que continuar?
fcsilveira

A atividade física costuma aparecer nas conversas sobre perda de peso como se dependesse de uma rotina de academia, equipamentos e horas disponíveis no dia.
Mas evidências científicas mostram uma realidade diferente e mais ampla que essa.
Caminhar, pedalar, dançar, subir escadas e outras formas de movimentar o corpo também fazem parte do contexto de atividade física.
Para quem terminou ou está avançando no tratamento para perda de peso, essa diferença importa: a manutenção não precisa depender de uma prática de exercícios difícil de sustentar.
Continuar para manter os resultados conquistados
Uma publicação científica na revista médica JAMA Network Open em 2024, nos Estados Unidos, avaliou a relação entre exercício aeróbico e perda de peso em adultos.
Pesquisadores identificaram que 30 minutos por semana de exercício aeróbico está associado a reduções significativas em diversas medidas corporais.
Com 150 minutos por semana de exercício moderado a vigoroso:
- A redução média estimada no peso corporal chegou a −2,79 kg.
- E a diminuição no percentual de gordura atingiu −2,08%, superando o patamar de 2%, considerado clinicamente relevante.
Já com 300 minutos por semana:
- A redução média no peso corporal encontrada alcançou −4,19 kg
- E a diminuição na circunferência abdominal chegou a −4,21 cm, com exercício de intensidade moderada, e −5,34 cm, com intensidade moderada a vigorosa. Esses valores ultrapassam a marca de 2 cm estipulada como redução clinicamente importante.
Isso não significa que exista uma quantidade única de exercício que produza o mesmo resultado para todas as pessoas. Visto que a resposta depende de diferentes fatores, incluindo o tipo e a quantidade de atividade, além das características individuais.
Dessa forma, é preciso entender a atividade física como parte do cuidado, e não como uma fórmula para atingir determinado número na balança.
É preciso treinar intensamente?
Não, o exercício físico pode ser realizado em diferentes intensidades. A escolha depende da condição de saúde, dos objetivos e da experiência de cada pessoa.
Diretrizes de saúde americanas consideram diversas formas de movimento no cotidiano como atividade física:
- caminhar para fazer uma tarefa, como trabalho, escola, mercado
- subir escadas em vez de pegar o elevador, se possível
- realizar atividades domésticas, como varrer e passar pano no chão
- brincar com as crianças, passear com os animais e outras atividades recreativas
Isso ajuda a quebrar uma barreira comum de que você não precisa necessariamente pagar uma academia para começar a se movimentar.
A proposta é encontrar uma prática que possa ser incorporada à rotina e mantida ao longo do tempo.
Sua saúde mental agradece por cada movimento
Os efeitos do movimento não ficam restritos ao corpo.
Segundo publicação da revista científica JAMA Psychiatry, nos Estados Unidos, pesquisadores encontraram uma associação direta entre a prática regular de atividade física e a diminuição do risco de depressão.
Quando há transição da inatividade total de exercícios na rotina para níveis leves de atividade, é perceptível a redução de sintomas relacionados a questões de saúde mental.
Uma caminhada durante um deslocamento, alguns minutos de movimento entre períodos sentado ou uma atividade no fim do dia podem ser pontos de partida.
A recomendação para adultos é de, pelo menos, 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada e fortalecimento muscular em pelo menos 2 dias da semana.
Para quem está pouco ativo, começar com menos pode ser um primeiro passo para aumentar gradualmente a atividade.
Como transformar movimento em hábito?
Não existe uma estratégia e nem uma fórmula única.
Algumas pessoas preferem estabelecer horários específicos. Outras conseguem incorporar movimento aos deslocamentos, às tarefas domésticas ou aos momentos de lazer.
Também pode ajudar escolher uma atividade prazerosa, combinar a prática com outra pessoa ou acompanhar a própria rotina.
O ponto central é criar uma forma de movimento que seja possível manter, pois uma rotina sustentável não precisa ser perfeita.
Referências
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