Diabetes: por que acompanhar olhos, rins, coração e pés?
Maiara Ferreira

Quem convive com diabetes já percebeu que o acompanhamento envolve mais do que medir a glicose: exame de sangue, exame de urina, avaliação dos pés, consulta com oftalmologista.
À primeira vista, pode até parecer excesso de cuidado, mas existe um motivo para isso.
Cada exame acompanha uma parte do organismo que pode ser afetada ao longo do tempo quando não há acompanhamento do diabetes. Mas quando há, muitas dessas alterações podem ser identificadas antes mesmo de causarem sintomas.
Por que o diabetes não fica só na glicose
A glicose alta é a principal característica do diabetes.
Quando permanece elevada por muito tempo, pode causar inflamação e danos aos vasos sanguíneos, prejudicando a circulação e favorecendo complicações em diferentes partes do corpo.
É por isso que o acompanhamento não se limita ao manejo da glicemia.
O objetivo é proteger órgãos importantes, como coração, rins, olhos e nervos, reduzindo o risco de complicações no futuro.
Coração e vasos sanguíneos
Quem convive com diabetes tipo 2 apresenta um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
Acompanhar a pressão arterial e os níveis de colesterol faz parte da rotina, mesmo quando não existe nenhum sintoma relacionado ao coração. Cuidar desses fatores ajuda a reduzir o risco de complicações como infarto e AVC.
Rins
Os rins também merecem atenção especial. Com o passar do tempo, a glicose elevada pode comprometer a capacidade do órgão de filtrar o sangue, causando uma condição conhecida como nefropatia diabética.
Exames de sangue e de urina permitem identificar alterações ainda nas fases iniciais, quando é possível agir para regredir o desenvolvimento do problema.
Olhos
A retina, estrutura responsável pela formação das imagens, também pode ser afetada pelo diabetes.
Essa complicação é chamada de retinopatia diabética e, nas fases iniciais, costuma não provocar sintomas. Por isso, o exame oftalmológico periódico é tão importante.
Se identificada precocemente, existem tratamentos para a alteração que ajudam a preservar a visão.
Nervos e pés
O diabetes também pode afetar os nervos, principalmente dos pés, reduzindo a sensibilidade.
Com isso, pequenos machucados podem passar despercebidos e evoluir para feridas mais sérias. Por esse motivo que a avaliação dos pés faz parte das consultas de rotina.
Além do exame realizado pelos profissionais de saúde, observar os pés diariamente em casa também é um hábito importante para identificar qualquer alteração.
Os mesmos cuidados protegem várias partes do corpo
Existem medidas recomendadas para manejar o diabetes, que beneficiam o organismo como um todo:
- manter a glicose dentro da meta definida pela equipe de saúde
- acompanhar a pressão arterial e o colesterol
- praticar atividade física regularmente
- não fumar e evitar a ingestão de bebida alcoólica
- seguir o tratamento médico recomendado
Esses cuidados ajudam a proteger coração, rins, olhos e nervos ao mesmo tempo.
Agende exames de glicemia, coleterol e aferição de pressão arterial na Drogasil perto de você.
Por isso os exames de rotina importam tanto?
Grande parte das complicações do diabetes começa de forma silenciosa.
Quando os sintomas aparecem, algumas alterações já podem estar mais avançadas. Por isso, é importante realizar exames de rotina, mesmo quando se sente bem. São eles:
- glicemia
- hemoglobina glicada (HbA1c)
- perfil lipídico, função renal
- exame de urina
- avaliação oftalmológica
- avaliação dos pés
Esses exames não existem para procurar problemas, mas para identificar alterações precocemente e permitir que elas sejam tratadas no momento certo.
Conhecer essa rotina não deve ser motivo de preocupação. Pelo contrário, entender por que cada exame é solicitado ajuda a dar mais sentido ao acompanhamento e mostra como ele contribui para proteger a sua saúde ao longo do tempo.
O farmacêutico também pode ser um ponto de apoio para tirar dúvidas sobre o diabetes e orientar você sobre os próximos passos do seu cuidado. Quando necessário, procure orientação médica para uma avaliação completa e individualizada.
Referências
- American Diabetes Association. (2026). Standards of Care in Diabetes.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. (2023). Manejo do risco cardiovascular e dislipidemia. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/manejo-do-risco-cardiovascular-dislipidemia/
- Rached, F. H. et al. (2025). Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 122(9), e20250640. Disponível em: https://abccardiol.org/wp-content/uploads/articles_xml/0066-782X-abc-122-09-e20250640/0066-782X-abc-122-09-e20250640.x66747.pdf





