Veoza (Fezolinetanto): o que é, para quem é indicado e efeitos colaterais
Bianca Azevedo

- O que é o Veoza?
- Como o Veoza funciona?
- Para quem o Veoza é indicado?
- Para quem não é indicado (contraindicações)?
- Efeitos colaterais mais comuns
- Monitoramento obrigatório do fígado
- Como tomar?
- Eficácia do Veoza: o que dizem os estudos?
- Situação no Brasil: aprovado, mas ainda não disponível
- Perguntas mais buscadas sobre o Veoza
Para quem sofre de ondas de calor e sudorese noturna da menopausa, chega ao mercado um novo medicamente que promete melhorar os sintomas de forma não hormonal. O Veoza (fezolinetanto) teve o registro aprovado pela Anvisa em 22 de junho de 2026, mas ainda não está disponível nas farmácias brasileiras — porém a Astellas, responsável pelo fármaco, já firmou parceria com a Hypera para acelerar a comercialização no país.
A seguir, te contamos tudo que você precisa saber sobre o novo medicamento.
O que é o Veoza?
O Veoza é um medicamento oral cujo princípio ativo é o fezolinetanto. Ele pertence a uma classe completamente nova de fármacos: os antagonistas seletivos do receptor de neurocinina 3 (NK3). É o primeiro e único medicamento dessa classe aprovado no mundo para tratar sintomas vasomotores (SVM) — popularmente conhecidos como ondas de calor e sudorese noturna — associados à menopausa.
Diferentemente da terapia de reposição hormonal (TRH), o Veoza não contém hormônios (nem estrogênio, nem progesterona). Sua ação é no sistema nervoso central, mais especificamente no hipotálamo, a região do cérebro que regula a temperatura corporal.
Como o Veoza funciona?
Durante a transição menopausal, a queda nos níveis de estrogênio desregula um grupo de neurônios no hipotálamo chamados neurônios KNDy. Esses neurônios passam a produzir em excesso a neurocinina B (NKB), que se liga ao receptor NK3 e envia sinais equivocados ao corpo de que ele está “superaquecido”. O resultado são as ondas de calor e a sudorese noturna.
O fezolinetanto bloqueia seletivamente o receptor NK3, impedindo que a NKB exerça esse efeito. Na prática, ele ajuda a “reajustar” o termostato cerebral que estava desregulado, sem mexer nos níveis hormonais.
Para quem o Veoza é indicado?
O Veoza é indicado para mulheres na menopausa com sintomas vasomotores moderados a graves — ou seja, ondas de calor e/ou sudorese noturna que interferem significativamente na qualidade de vida, no sono e nas atividades diárias.
É especialmente relevante para:
- Mulheres com contraindicação à terapia hormonal (TRH), como histórico de câncer de mama, trombose venosa profunda, embolia pulmonar, acidente vascular cerebral ou sangramento vaginal de origem indeterminada.
- Mulheres que não toleram os efeitos colaterais da TRH.
- Mulheres que optam por não usar hormônios por decisão pessoal.
- Mulheres que já tentaram outras abordagens não hormonais (como ISRS, ISRSN, gabapentina) sem resultado satisfatório ou que não toleraram esses medicamentos.
Importante: O Veoza não substitui a TRH para todas as mulheres. A TRH continua sendo o tratamento de primeira linha mais eficaz para mulheres sem contraindicações e dentro da “janela de oportunidade” (menos de 60 anos ou menos de 10 anos após a menopausa). O Veoza não trata outros sintomas da menopausa, como ressecamento vaginal, dispareunia ou prevenção de osteoporose.
Para quem não é indicado (contraindicações)?
O Veoza é contraindicado em:
- Gestantes ou com suspeita de gravidez (categoria X — não deve ser usado em nenhuma fase da gestação).
- Mulheres em idade fértil sem método contraceptivo adequado.
- Pacientes com hipersensibilidade ao fezolinetanto ou a qualquer componente da fórmula.
- Uso concomitante de inibidores moderados ou potentes da CYP1A2 (como fluvoxamina, enoxacina, ciprofloxacino, contraceptivos orais contendo etinilestradiol, entre outros).
Não recomendado (só use com liberação do médico e com cautela):
- Pacientes com insuficiência hepática moderada a grave.
- Pacientes com insuficiência renal grave.
- Pacientes com doença hepática ativa ou enzimas hepáticas elevadas sem explicação.
Efeitos colaterais mais comuns
Os efeitos colaterais mais frequentes são:
- Diarreia (o mais comum, podendo afetar até 1 em cada 10 usuárias).
- Distúrbios do sono (insônia ou sonolência).
- Dor de cabeça.
- Fadiga.
- Náusea.
- Dor abdominal.
- Tontura.
- Elevação transitória das enzimas hepáticas (TGO/TGP), geralmente assintomática e reversível após a suspensão.
Efeitos raros, mas graves:
- Lesão hepática induzida por medicamento — a bula alerta para a possibilidade de elevação grave de enzimas hepáticas, incluindo casos com elevação de bilirrubina. Por isso, é obrigatório monitorar a função hepática.
- Reações de hipersensibilidade (coceira, urticária, angioedema).
Monitoramento obrigatório do fígado
Este é um ponto crucial: a bula do Veoza exige monitoramento da função hepática:
- Antes de iniciar o tratamento: dosar ALT, AST e bilirrubina.
- Durante os primeiros 3 meses: monitorar mensalmente.
- Após os 3 meses: monitorar periodicamente, conforme orientação médica.
Se houver elevação significativa das enzimas hepáticas ou sinais de lesão hepática (icterícia, urina escura, dor abdominal intensa, náusea persistente), o medicamento deve ser suspenso e o médico deve ser consultado imediatamente.
Como tomar?
- Dose padrão: 45 mg (um comprimido) uma vez ao dia, por via oral.
- Pode ser tomado com ou sem alimento.
- O comprimido deve ser engolido inteiro, não pode ser partido, mastigado ou triturado.
- Deve ser tomado aproximadamente no mesmo horário todos os dias.
Eficácia do Veoza: o que dizem os estudos?
Os estudos clínicos de fase 3 (BRIGHT SKY) mostraram resultados consistentes:
- 4 semanas de tratamento: redução média de cerca de 53% na frequência diária de ondas de calor moderadas a graves.
- 12 semanas de tratamento: redução de cerca de 63%.
A redução da gravidade dos sintomas também foi significativa. O remédio mostrou melhora na qualidade do sono e na qualidade de vida relacionada à saúde, além de melhora na interferência das ondas de calor nas atividades diárias.
Situação no Brasil: aprovado, mas ainda não disponível
Em 22 de junho de 2026, a Anvisa aprovou o registro do Veoza no Brasil por meio da Resolução nº 2.430/2026. O registro foi publicado no Diário Oficial da União.
Essa aprovação é apenas o primeiro passo. Para chegar às farmácias, o medicamento ainda precisa:
- Passar pela precificação da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) — até o momento, nenhum preço foi divulgado.
- Definir a estratégia de comercialização — a Astellas, detentora do registro, firmou em julho de 2026 uma parceria estratégica com a Hypera Pharma, maior farmacêutica brasileira, para comercializar um segundo nome comercial do fezolinetanto a ser vendido no país, ampliando o acesso.
Perguntas mais buscadas sobre o Veoza
- Veoza vai ser vendido no Brasil?
Sim, foi aprovado pela Anvisa em junho de 2026, mas ainda não há data de lançamento comercial definida. A parceria com a Hypera (julho de 2026) indica que o processo está em andamento. - Quanto vai custar o Veoza no Brasil?
Ainda não há preço oficial. A CMED não divulgou a tabela de preços. Especula-se que será um medicamento de alto custo, mas qualquer valor divulgado na internet é especulação. - Veoza é hormonal?
Não. É um medicamento não hormonal, que age bloqueando o receptor NK3 no cérebro, sem repor estrogênio ou progesterona. - Veoza engorda?
O ganho de peso não está entre os efeitos colaterais mais comuns nos estudos clínicos. Os mais frequentes são diarreia, distúrbios do sono e dor de cabeça. No entanto, cada organismo reage de forma diferente. - Quem pode tomar Veoza?
Mulheres na menopausa com ondas de calor e/ou sudorese noturna moderadas a graves, especialmente aquelas que não podem ou não querem usar terapia hormonal. Não é indicado para gestantes e requer cautela em pacientes com problemas hepáticos ou renais. - Veoza faz mal ao fígado?
Ele pode causar elevação das enzimas hepáticas e, em casos raros, lesão hepática. Por isso, é obrigatório monitorar a função hepática antes e durante o tratamento (mensalmente nos primeiros 3 meses). - Veoza substitui a reposição hormonal?
Não. A TRH continua sendo o tratamento de primeira linha para mulheres sem contraindicações. O Veoza é uma alternativa para quem não pode ou não quer usar hormônios, mas não trata outros sintomas da menopausa (como ressecamento vaginal ou osteoporose). - Como tomar o Veoza?
45 mg (um comprimido) uma vez ao dia, engolido inteiro, com ou sem alimento, sempre no mesmo horário. - Veoza tem contraindicação?
Sim. É contraindicado na gravidez, em mulheres com hipersensibilidade ao fármaco e em uso concomitante com inibidores moderados/fortes da CYP1A2 (como fluvoxamina, enoxacina, ciprofloxacino). Não é recomendado para pacientes com insuficiência hepática moderada a grave ou insuficiência renal grave. - Veoza é aprovado pela Anvisa?
Sim. O registro foi aprovado em 22 de junho de 2026 (Resolução nº 2.430/2026), mas o medicamento ainda não está disponível nas farmácias.
Fontes





