Pedra nos rins: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento
Bianca Azevedo

A dor começa nas costas, na região entre as costelas e o quadril. Vem em ondas, forte, intensa, e pode descer para o abdômen e para a virilha. Muitas vezes vem com náusea, vômito e uma vontade constante de urinar. Quem já teve uma crise de pedra nos rins sabe: é uma das dores mais intensas que existem.
A pedra nos rins, também chamada de cálculo renal ou litíase renal, é uma condição extremamente comum. Ela afeta milhões de pessoas no mundo, e a prevalência vem aumentando nas últimas décadas. Entender o que causa, como identificar e como tratar é essencial para evitar crises repetidas e complicações.
O que é pedra nos rins
Pedra nos rins é um pequeno depósito sólido que se forma dentro dos rins a partir de substâncias presentes na urina. Quando essas substâncias estão em concentração normal, elas permanecem dissolvidas. Mas quando a concentração fica muito alta, ou quando falta água suficiente na urina, elas começam a se cristalizar. Com o tempo, esses cristais se agrupam e formam a pedra.
A pedra pode ficar parada dentro do rim por anos, sem causar nenhum sintoma. O problema começa quando ela se desloca e entra no ureter, o canal que liga o rim à bexiga. Esse canal é estreito, e a pedra pode ficar presa ali, bloqueando a passagem da urina e causando a dor característica da cólica renal.
Os tipos de pedra
Existem quatro tipos principais de pedra nos rins, e cada um tem causas e estratégias de prevenção diferentes.
Pedra de oxalato de cálcio:
É a mais comum, representando cerca de 85% dos casos. Ela se forma quando o oxalato, substância presente em alimentos como espinafre, beterraba, castanhas, chocolate e chá preto, se combina com o cálcio na urina.
Pedra de ácido úrico:
Representa cerca de 5% a 10% dos casos. Ela é mais comum em pessoas com gota, diabetes, obesidade ou que consomem muita proteína animal. A urina ácida favorece a formação desse tipo de pedra.
Pedra de estruvita:
Também chamada de pedra de infecção, representa cerca de 5% a 15% dos casos. Ela está associada a infecções urinárias de repetição causadas por bactérias que produzem uma enzima chamada urease. Essas pedras podem crescer muito e formar os chamados cálculos coraliformes, que ocupam todo o rim.
Pedra de cistina:
É a mais rara, representando 1% a 2% dos casos. Ela é causada por uma doença genética chamada cistinúria, em que os rins não conseguem reabsorver adequadamente a cistina, um aminoácido.
Por que as pedras se formam
A formação da pedra depende de uma combinação de fatores:
Concentração de urina
A principal causa. Quanto menos água você bebe, mais concentrada fica a urina, e maior a chance de cristais se formarem.
Alimentação
A alimentação também tem papel central. Dieta rica em sódio aumenta a eliminação de cálcio pela urina. Excesso de proteína animal aumenta a eliminação de cálcio e de ácido úrico, além de reduzir o citrato, uma substância que inibe a formação de pedras. Consumo exagerado de alimentos ricos em oxalato também contribui.
Fatores metabólicos e doenças
Hiperparatireoidismo, gota, diabetes tipo 2, obesidade, doenças inflamatórias intestinais e cirurgias bariátricas estão associados a maior risco de pedras.
Histórico familiar
Se alguém na sua família tem pedra nos rins, seu risco aumenta.
Os sintomas de pedra nos rins
O sintoma mais clássico é a dor. Ela costuma começar nas costas, na região lombar, e pode irradiar para o abdômen e para a virilha. É uma dor em cólica, que vem em ondas, e pode ser extremamente intensa, a ponto de a pessoa não conseguir ficar parada.
Além da dor, os sintomas mais comuns incluem náusea, vômito, sangue na urina, necessidade frequente de urinar, ardor ao urinar e sensação de bexiga cheia.
Se houver infecção associada, podem aparecer febre, calafrios e urina com mau cheiro ou turva. Febre com cólica renal é uma emergência médica e exige atendimento imediato.
Vale lembrar que pedras muito pequenas podem ser eliminadas sem nenhum sintoma. E pedras que ficam paradas no rim podem não causar dor nenhuma.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a história clínica e o exame físico. O médico vai perguntar sobre a dor, sobre hábitos alimentares, consumo de água, histórico de pedras e doenças associadas.
O exame de urina é fundamental. Ele pode mostrar sangue, cristais, leucócitos e o pH da urina. O pH ajuda a identificar o tipo de pedra: pH muito ácido sugere ácido úrico, pH muito alcalino sugere estruvita.
Exames de sangue avaliam a função renal, os níveis de cálcio, ácido úrico e eletrólitos.
O exame de imagem é essencial. A tomografia computadorizada sem contraste é o padrão-ouro, pois identifica a pedra, seu tamanho, sua localização e se há obstrução. A ultrassonografia é uma alternativa, especialmente em gestantes e crianças, mas pode não visualizar pedras pequenas no ureter.
Como é o tratamento de pedra nos rins
O tratamento depende do tamanho, da localização e dos sintomas.
A primeira medida é controlar a dor. Anti-inflamatórios são a primeira escolha. Se a dor for muito intensa, podem ser necessários analgésicos mais potentes.
Pedras menores que 5 milímetros geralmente são eliminadas sozinhas. O médico pode recomendar aumento da ingestão de água e uso de medicamentos que relaxam o ureter, facilitando a passagem.
Pedras entre 5 e 10 milímetros podem precisar de intervenção. A litotripsia extracorpórea por ondas de choque é uma opção: ela fragmenta a pedra com ondas de choque, e os fragmentos são eliminados pela urina.
A ureteroscopia é outra opção. Um aparelho fino é introduzido pela uretra até o ureter, e a pedra é fragmentada com laser e removida.
Para pedras maiores, ou localizadas no rim, a nefrolitotomia percutânea pode ser indicada. Um pequeno acesso é feito na pele das costas até o rim, e a pedra é removida por esse caminho.
Se houver infecção ou obstrução grave, pode ser necessário colocar um cateter ureteral ou fazer uma nefrostomia para drenar a urina antes de tratar a pedra.
Como prevenir pedra nos rins
A prevenção é a parte mais importante do tratamento, porque pedra nos rins tende a voltar.
Beber água é a medida mais eficaz. A recomendação é atingir volume urinário de pelo menos 2,5 litros por dia. Isso geralmente significa beber entre 2 e 3 litros de líquido por dia, dependendo do clima e da atividade física.
Reduzir o sal é essencial. O sódio aumenta a eliminação de cálcio pela urina.
Moderar a proteína animal ajuda, pois ela aumenta a eliminação de cálcio e ácido úrico.
Não cortar o cálcio da dieta é uma orientação importante e muitas vezes contraintuitiva. O cálcio consumido nos alimentos se liga ao oxalato no intestino e reduz sua absorção. Dietas muito pobres em cálcio podem aumentar o risco de pedras.
Reduzir alimentos muito ricos em oxalato, como espinafre, beterraba, castanhas, chocolate e chá preto, ajuda em casos de pedras de oxalato de cálcio.
Aumentar o consumo de citrato, presente em frutas cítricas como limão e laranja, ajuda a inibir a formação de cristais.
Perguntas frequentes sobre pedra nos rins
- Pedra nos rins é comum?
Sim, é uma das condições urológicas mais comuns no mundo. A prevalência vem aumentando nas últimas décadas. - Qual o tipo mais comum de pedra?
A pedra de oxalato de cálcio, que representa cerca de 85% dos casos. - Pedra nos rins sempre causa dor?
Não. Pedras pequenas ou que ficam paradas no rim podem não causar sintomas. A dor aparece geralmente quando a pedra se desloca para o ureter. - Qual é a dor da pedra nos rins?
É uma cólica intensa na região lombar, que pode irradiar para o abdômen e a virilha. Vem em ondas e pode vir acompanhada de náusea e vômito. - Pedra pequena sai sozinha?
Sim. Pedras menores que 5 milímetros geralmente são eliminadas espontaneamente, especialmente com aumento da ingestão de água. - Qual exame detecta pedra nos rins?
A tomografia computadorizada sem contraste é o exame mais preciso. A ultrassonografia é uma alternativa, mas pode não visualizar pedras pequenas no ureter. - Beber pouca água causa pedra nos rins?
Sim. A baixa ingestão de água é um dos principais fatores de risco, porque concentra a urina e favorece a cristalização. - Quem tem pedra nos rins deve cortar o cálcio da dieta?
Não. O cálcio dos alimentos ajuda a reduzir a absorção de oxalato no intestino. Dietas muito pobres em cálcio podem aumentar o risco de pedras. - Pedra nos rins pode voltar?
Sim, a recidiva é comum. Por isso, a prevenção com água, dieta adequada e acompanhamento médico é fundamental. - Quando devo procurar atendimento de emergência?
Se a dor for intensa e não passar com analgésico, se houver febre ou calafrios, se você não conseguir urinar ou se houver vômitos persistentes, procure atendimento imediato.





