Alergias de primavera: como cuidar da rinite, asma e conjuntivite alérgica

Bianca Azevedo

Alergias de primavera: como cuidar da rinite, asma e conjuntivite alérgica

A primavera chegou. Dias mais longos, flores por todo lado, temperaturas agradáveis. Para muita gente, é a estação mais bonita do ano. Mas para quem convive com alergias respiratórias, ela pode ser um verdadeiro pesadelo. 

Espirros em sequência, nariz escorrendo, olhos vermelhos e coçando, garganta irritada, tosse seca que não passa. Se você se identificou, não está sozinho. A primavera é, de fato, a estação que mais intensifica as crises alérgicas. 

Por que a primavera piora as alergias 

O principal vilão é o pólen. Durante a primavera, árvores, gramíneas e flores liberam grandes quantidades de pólen no ar. Essas partículas microscópicas são leves e viajam longas distâncias pelo vento, entrando facilmente nas vias respiratórias e nos olhos de pessoas sensíveis. 

Mas no Brasil, existe um detalhe importante que muita gente não sabe: os principais causadores de alergia por aqui não são os pólens, como acontece em países de clima temperado. Segundo especialistas da Fiocruz, os grandes vilões brasileiros são os fungos e os ácaros. 

Com o aumento da umidade e das temperaturas mais altas típicas da primavera, esses microrganismos encontram condições ideais para se multiplicar. Isso significa que, mesmo que você não seja alérgico a pólen, a primavera pode piorar seus sintomas por causa dos ácaros e do mofo. 

Além disso, as mudanças bruscas de temperatura e o ar mais seco em algumas regiões sensibilizam ainda mais as mucosas, agravando quadros de rinite, asma e conjuntivite. 

Os sintomas mais comuns 

Os sintomas de alergia na primavera afetam principalmente o sistema respiratório e os olhos. Os mais frequentes incluem: 

  • Crises de espirros em sequência, especialmente ao acordar ou após contato com poeira e pólen 
  • Coriza transparente e abundante 
  • Coceira intensa no nariz, garganta, olhos e até ouvidos 
  • Congestão e obstrução nasal 
  • Olhos vermelhos, lacrimejando e com coceira 
  • Tosse seca e chiado no peito, especialmente em quem tem asma 
  • Cansaço e dificuldade para dormir por causa do nariz entupido  

A obstrução nasal crônica pode levar a hábitos como dormir de boca aberta, roncos, noites mal dormidas e fadiga diurna. Em crianças, isso afeta diretamente a concentração e o aprendizado. 

Como diferenciar alergia de resfriado ou gripe 

Essa é uma dúvida muito comum. Alergia e infecções virais compartilham sintomas, mas alguns sinais ajudam a diferenciar. 

A rinite alérgica não causa febre. A coriza tende a ser transparente e aquosa, a coceira é frequente e os espirros aparecem em sequência, especialmente após contato com um gatilho conhecido. Os sintomas podem durar enquanto houver exposição ao alérgeno e tendem a melhorar com o uso de antialérgicos. 

Já gripes e resfriados são causados por vírus e costumam incluir mal-estar, dor no corpo, dor de garganta e, no caso da gripe, febre. A secreção tende a ser mais espessa e a mudança de cor do muco pode indicar infecção. 

Se os sintomas persistirem por mais de duas semanas, piorarem progressivamente ou vierem acompanhados de febre, procure um médico. 

O que fazer para aliviar os sintomas 

Existem várias medidas que ajudam a controlar as crises alérgicas. Algumas são de controle ambiental, outras envolvem medicamentos. 

No controle ambiental, as recomendações são: 

  • Manter os ambientes limpos, usando pano úmido em vez de vassoura 
  • Evitar tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia em excesso 
  • Manter a casa seca e bem ventilada 
  • Lavar roupas de cama semanalmente 
  • Fechar janelas nos horários de maior liberação de pólen 
  • Evitar secar roupas ao ar livre em dias de alta polinização  

Para alívio dos sintomas, os medicamentos mais usados são: 

  • Anti-histamínicos, que aliviam coceira, espirros e coriza 
  • Corticosteroides nasais em spray, que controlam a inflamação e descongestionam o nariz 
  • Colírios antialérgicos para olhos vermelhos e coçando 
  • Descongestionantes nasais, para uso de curto prazo  

Atenção: medicamentos só devem ser usados com orientação médica ou farmacêutica. Anti-histamínicos de primeira geração podem causar sonolência e não devem ser usados antes de dirigir. 

Quando procurar um médico 

Se os sintomas são leves e ocasionais, medidas ambientais e antialérgicos de venda livre podem resolver. Mas procure atendimento médico se: 

  • Os sintomas limitarem suas atividades diárias ou atrapalharem o sono 
  • Você tiver chiado no peito, falta de ar ou aperto no tórax 
  • Os medicamentos de venda livre não fizerem efeito 
  • Houver febre, secreção espessa ou dor facial (pode ser sinusite) 

Perguntas frequentes sobre alergias de primavera 

  1. Alergia de primavera é causada só por pólen?
    No Brasil, não. Os principais vilões são fungos e ácaros, que se multiplicam com a umidade e o calor da estação. O pólen também contribui, especialmente em regiões com muita vegetação.
  2. Alergia causa febre?
    Não. Febre não é um sintoma de alergia. Se você está com febre, coriza espessa ou dores no corpo, pode ser uma infecção viral.
  3. Anti-histamínico dá sono?
    Os de primeira geração (como difenidramina) podem causar sonolência. Os de segunda geração (como loratadina, cetirizina) são menos sedativos e mais indicados para o dia a dia.
  4. Posso usar descongestionante nasal todos os dias?
    Não. O uso prolongado de descongestionantes nasais pode causar efeito rebote, piorando a congestão. Use apenas por poucos dias e sob orientação.
  5. Crianças podem ter alergia de primavera?
    Sim, e é muito comum. Rinite, asma e conjuntivite alérgica são os quadros mais frequentes em crianças nesta época. Se houver piora progressiva ou dificuldade respiratória, procure atendimento.
  6. Alergia tem cura?
    Não existe cura, mas o controle pode ser muito eficaz. Medidas ambientais, medicamentos e, em alguns casos, imunoterapia ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises.

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