Como o corpo entende a fome e regula a saciedade?

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Como o corpo entende a fome e regula a saciedade?

Você sabia que a sensação de fome não depende apenas de o estômago estar vazio? Da mesma forma que sentir-se satisfeito depois de uma refeição não é resultado somente de estar com o estômago cheio? 

O organismo conta com uma rede de sinais que envolve o sistema digestivo, o cérebro e diferentes hormônios. Juntos, esses mecanismos ajudam a regular o apetite e o comportamento alimentar. 

Entender como essa comunicação funciona facilita a compreensão sobre os mecanismos de ação de alguns medicamentos usados no tratamento de sobrepeso e obesidade. 

Como o corpo sabe que é hora de comer? 

 Um dos principais hormônios relacionados à fome é a grelina. 

Produzida principalmente no estômago, ela aumenta quando o estômago está vazio e participa da comunicação com áreas do cérebro relacionadas à fome. 

Mas esse hormônio não atua sozinho, pois sinais emitidos pelo intestino, por exemplo, também informam ao cérebro sobre o estado energético e nutricional do corpo. 

Essa conexão permite que o cérebro integre diferentes informações e participe da regulação do apetite. 

E a saciedade vem de que forma? 

A saciedade acontece em etapas e durante a refeição:  

  1. com a chegada dos alimentos, o corpo percebe que o estômago está mais cheio.  
  1. Depois, o intestino passa a liberar hormônios, envolvidos na digestão, que ajudam a reduzir a fome.  
  1. Por fim, os níveis de glicose e outras substâncias ligadas à energia aumentam no sangue, reforçando a sensação de saciedade. Esses sinais avisam o corpo que as necessidades de energia e nutrientes já foram atendidas. 

A partir dessas informações, áreas envolvidas na regulação do apetite participam de respostas relacionadas à fome, à saciedade e à motivação para comer. 

Esse sistema também ajuda a explicar por que a regulação do apetite envolve mecanismos biológicos complexos, e não apenas decisões individuais sobre alimentação. 

De que maneira os medicamentos GLP-1 interferem nesse processo? 

Alguns medicamentos usados no tratamento do sobrepeso e da obesidade são análogos de GLP-1, um hormônio envolvido na regulação da fome e da saciedade. 

As canetas injetáveis são exemplos desses medicamentos. Elas simulam a ação do GLP-1 e atuam no corpo da seguinte forma: 

  • estimulando áreas do cérebro que reduzem a fome e diminuem a ação de outras que aumentam a vontade de comer. 
  • Reduzindo a resposta cerebral a imagens de alimentos, em áreas ligadas ao apetite e à recompensa. 
  • Ajudando o estômago a permanecer cheio por mais tempo. 

A indicação e os efeitos variam de acordo com o medicamento e com cada pessoa. Por isso, o tratamento deve ser iniciado e mantido com orientação médica. 

Por que vale entender como agem as canetas injetáveis? 

A fome e a saciedade resultam da interação entre diferentes sistemas do organismo. 

Essa complexidade ajuda a compreender por que o apetite não pode ser explicado por um único fator. Além de auxiliar a entender por que alguns tratamentos atuam em mecanismos específicos dessa regulação. 

No tratamento do sobrepeso e da obesidade, conhecer esses mecanismos permite saber como diferentes estratégias podem fazer parte do cuidado, sempre considerando as características e necessidades de cada pessoa. 

 

Referências: 

Posicionamento sobre o tratamento nutricional do sobrepeso e da obesidade: Departamento de Nutrição da ABESO – 2022. Pepe RB, Lottenberg AMP, Fujiwara CTH, Beyruti M, coordenadores. São Paulo: ABESO; 2022. Disponível em: https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2022/11/posicionamento_2022-alterado-nov-22-1.pdf

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