Suplementação e tratamento com GLP-1: por que ela é tão importante
Camila Rubim

Os agonistas do receptor GLP-1 (como semaglutida, liraglutida e tirzepatida) estão tão em alta que estão redesenhando o consumo de diversos segmentos, como o mercado de fitness e wellness. E não é à toa. As conhecidas “canetas emagrecedoras” revolucionaram o tratamento contra obesidade e diabetes pois promovem perda de peso significativa — em média de 15% a 20% do peso corporal — de forma mais rápida.
No entanto, essa perda acelerada traz consequências indesejadas. E o problema é agravado pelo fato de que apenas 12% dos pacientes recebem orientação sobre suplementação de seus médicos ao iniciar o tratamento.
Consequências do uso de agonistas de GLP-1 na nutrição
- Redução drástica da ingestão calórica: o apetite suprimido leva a uma queda de 16% a 39% no consumo total de calorias.
- Deficiências nutricionais: com menos comida, vitaminas e minerais essenciais ficam em falta. Estudos mostram que pacientes em uso de GLP-1 apresentam ingestão inferior de nutrientes como vitamina D, ferro, vitamina B12 e cálcio.
- Perda de massa muscular: até 40% do peso perdido pode vir da massa magra, não da gordura, especialmente em pacientes que não fazem exercícios de força.
- Efeitos gastrointestinais: náuseas, vômitos, constipação e diarreia são comuns e podem piorar ainda mais a ingestão nutricional.
Suplementos recomendados para quem usa o medicamento
Uma revisão narrativa publicada em 2025 no periódico Obesity Pillars analisou dezenas de metanálises e ensaios clínicos para identificar quais suplementos têm benefícios comprovados para pacientes em uso de GLP-1. Os principais achados estão resumidos a seguir:
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Proteínas e aminoácidos: o pilar da preservação muscular
A perda de massa magra é uma das maiores preocupações. Para combatê-la, a recomendação diária de proteína é de 1,2 a 2,0 gramas por quilo de peso corporal. A suplementação com os produtos abaixo pode ajudar a preservar a massa muscular:
- Proteína do soro do leite (whey): quando combinada com treino de resistência, ajuda a preservar massa magra e força muscular. Compre aqui.
- Creatina monohidratada: aumenta a força e o desempenho durante o treino, potencializando os efeitos da proteína. Compre aqui.
- HMB (β-hidroxi β-metilbutirato): derivado do aminoácido leucina, ajuda a reduzir a degradação muscular durante a perda de peso. Compre aqui.
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Multivitamínicos e minerais: preenchendo as lacunas nutricionais
Com a redução da ingestão alimentar, um multivitamínico diário é recomendado para evitar deficiências. Os nutrientes mais críticos incluem:
- Vitamina D e cálcio: essenciais para a saúde óssea. A deficiência de vitamina D é comum na população obesa e pode ser agravada pela baixa ingestão. Compre aqui.
- Ferro: especialmente importante para mulheres em idade fértil. A fadiga e a queda de cabelo frequentemente relatadas podem estar ligadas à deficiência de ferro. Compre aqui.
- Vitamina B12: pacientes que usam metformina (comum em diabéticos tipo 2) têm risco aumentado de deficiência, que pode causar neuropatia e fadiga. Compre aqui.
- Zinco e ácido fólico: também frequentemente subconsumidos durante dietas restritivas. Compre aqui.
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Fibras e probióticos: alívio para o intestino
Os efeitos gastrointestinais são a principal causa de descontinuação do tratamento. A suplementação com fibras e probióticos pode ajudar.
- Fibras solúveis: melhoram o trânsito intestinal e aliviam a constipação. Compre aqui.
- Probióticos: ajudam a restaurar o equilíbrio da microbiota intestinal, que pode ser afetada pela redução da ingestão de alimentos fermentáveis. Compre aqui.
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Antioxidantes e anti-inflamatórios
A perda de peso rápida pode aumentar o estresse oxidativo e a inflamação sistêmica. Suplementos como curcumina e ômega-3 podem ajudar a mitigar esses efeitos.
Cuidados importantes
Apesar dos benefícios, a suplementação deve ser feita com orientação profissional. Alguns cuidados:
- Priorizar alimentos integrais: a suplementação não substitui uma alimentação saudável e variada. Deve ser usada como complemento, não como substituto.
- Evitar excessos: altas doses de vitaminas e minerais podem ser tóxicas. É importante respeitar os limites superiores de ingestão.
- Personalização: as necessidades variam de acordo com idade, sexo, presença de diabetes, uso de outros medicamentos (como metformina) e resultados de exames laboratoriais.
- Nunca suspender o GLP-1 por conta própria: se os efeitos colaterais forem intensos, o médico deve ser consultado para ajuste de dose ou mudança de estratégia, não para abandono abrupto do tratamento.
Conclusão: suplementação como parte do tratamento
O tratamento com agonistas GLP-1 é revolucionário, mas não é isento de desafios. A suplementação nutricional baseada em evidências pode ser uma ferramenta poderosa para:
- Preservar a massa muscular durante a perda de peso.
- Prevenir deficiências vitamínicas e minerais que comprometem a saúde geral.
- Aliviar efeitos gastrointestinais que muitas vezes levam ao abandono do tratamento.
- Potencializar os resultados do emagrecimento, garantindo que o peso perdido seja predominantemente gordura, não músculo.
O paciente deve buscar orientação de seu endocrinologista e, quando possível, de um nutricionista para personalizar a suplementação de acordo com suas necessidades individuais e exames laboratoriais. A suplementação não substitui uma alimentação saudável — mas, em um cenário de apetite reduzido e restrição calórica, pode ser a diferença entre um emagrecimento saudável e um emagrecimento que compromete a saúde a longo prazo.
Fontes:





