Doenças mais comuns na gravidez: o que toda mãe precisa saber

Bianca Azevedo

Doenças mais comuns na gravidez: o que toda mãe precisa saber

A gravidez é um período de transformações profundas. O corpo se adapta para nutrir e abrigar uma nova vida, e as alterações hormonais e físicas são intensas. Esse processo, embora natural, pode tornar a gestante mais vulnerável a uma série de condições de saúde. Com o sistema imunológico modulado para não rejeitar o bebê, infecções e distúrbios metabólicos se tornam mais frequentes. 

Identificar precocemente essas doenças comuns na gravidez é fundamental para a saúde da mãe e do bebê. A seguir, conheça as condições mais frequentes nessa fase, seus sinais e como agir. 

  1. Diabetes gestacional

O diabetes gestacional é caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, desencadeado por uma combinação de fatores hormonais e metabólicos típicos da gestação. Os hormônios produzidos pela placenta, essenciais para o desenvolvimento do bebê, interferem na ação da insulina, o hormônio que regula a entrada de glicose nas células. 

Como consequência, o pâncreas da mãe precisa produzir mais insulina para compensar. Em alguns casos, no entanto, essa produção não é suficiente, e a gestante desenvolve diabetes. 

Os principais fatores de risco incluem obesidade, histórico de diabetes gestacional em gestações anteriores, hipertensão, gestação de gêmeos, ganho de peso excessivo, alimentação inadequada, sedentarismo, gestação por fertilização in vitro e idade materna avançada (acima de 35 anos). Na maioria das vezes, a condição é assintomática, mas alguns sinais como aumento da sede e da fome, idas frequentes ao banheiro, visão turva e cansaço extremo podem surgir. 

O monitoramento e o controle da glicemia são essenciais para evitar complicações como o excesso de peso do bebê (macrossomia), partos prematuros e risco de diabetes tipo 2 para a mãe no futuro. 

  1. Pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morte materna no mundo. Ela se caracteriza pelo surgimento de hipertensão arterial após a 20ª semana de gestação, frequentemente acompanhada pela presença de proteína na urina, sinal de comprometimento da função renal. 

Acredita-se que a causa esteja relacionada ao desenvolvimento anormal dos vasos sanguíneos na placenta, que não se formam corretamente para transportar oxigênio e nutrientes da mãe para o bebê. Essa disfunção vascular leva a problemas de circulação e ao aumento da pressão arterial. 

Os sintomas variam conforme a gravidade. Em casos leves, pode haver inchaço excessivo (edema), retenção de líquidos e pressão arterial entre 140 x 90 e 160 x 110 mmHg. Em casos graves, a pressão ultrapassa 160 x 110 mmHg, podendo surgir convulsões (evoluindo para eclâmpsia), dor no estômago, alterações hepáticas, insuficiência renal e diminuição de plaquetas, exigindo a interrupção imediata da gestação para salvar a vida da mãe e do bebê. Por isso, o monitoramento da pressão em todo o pré-natal é vital. 

  1. Infecção urinária

As infecções do trato urinário são extremamente comuns na gravidez. As alterações anatômicas e funcionais nos rins e nas vias urinárias, somadas à ação hormonal, facilitam a proliferação de bactérias, especialmente a Escherichia coli. A uretra feminina, mais curta (cerca de 4 cm), também contribui para que as bactérias cheguem mais facilmente à bexiga. 

A imunidade baixa, diabetes gestacional, infecções vaginais recorrentes e disfunções do assoalho pélvico são fatores de risco. A infecção urinária pode ser assintomática, mas também se manifesta com dor ou queimação ao urinar, vontade frequente de urinar, sensação de peso na região pélvica e urina com aspecto turvo. 

O tratamento precoce é fundamental, pois infecções não tratadas podem levar a um trabalho de parto prematuro, pielonefrite (infecção nos rins) e complicações para o bebê. 

  1. Prisão de ventre

A constipação intestinal é uma queixa comum e desconfortável. Ela é causada por múltiplos fatores: a dieta pobre em fibras, a baixa ingestão de líquidos, o crescimento do útero que comprime o intestino e, principalmente, a ação da progesterona, um hormônio que relaxa a musculatura lisa do intestino, tornando os movimentos peristálticos mais lentos e as fezes mais secas e duras. 

Embora não prejudique diretamente o bebê, a prisão de ventre causa grande desconforto para a mãe, com sintomas como esforço para evacuar, fezes endurecidas, mal-estar e cólicas abdominais. A prevenção com uma alimentação rica em fibras, hidratação adequada e atividade física é a melhor estratégia. 

  1. Anemia

A anemia é uma das condições mais frequentes no segundo e terceiro trimestres. Ela ocorre pela falta de glóbulos vermelhos ou de hemoglobina, a proteína que transporta oxigênio dos pulmões para todo o corpo. Durante a gestação, o volume de sangue aumenta significativamente, e a demanda por ferro e outras vitaminas para a produção de hemácias é muito maior. 

A anemia materna pode comprometer o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao bebê, aumentando riscos como baixo peso ao nascer, parto prematuro e, em casos graves, subdesenvolvimento intrauterino. Os sintomas são inespecíficos e muitas vezes confundidos com o cansaço da própria gestação: fadiga, fraqueza muscular, sonolência, tontura e dor de cabeça. Por isso, os exames de sangue de rotina são essenciais para o diagnóstico e suplementação adequada. 

  1. Vaginose bacteriana

A vaginose é uma infecção vaginal causada pelo desequilíbrio da flora bacteriana natural. As alterações hormonais da gravidez diminuem a quantidade de lactobacilos (bactérias benéficas) e favorecem a proliferação excessiva de bactérias como a Gardnerella vaginalis. 

Os sintomas mais característicos são corrimento vaginal de coloração branca ou acinzentada, com odor fétido (semelhante a peixe), acompanhado de coceira intensa e sensação de queimação ao urinar. A vaginose não tratada está associada a um risco aumentado de parto prematuro e infecções pós-parto, portanto, o diagnóstico e o tratamento com antibióticos específicos são fundamentais. 

  1. Hemorroidas

As hemorroidas são veias dilatadas e inflamadas na região do reto e ânus, que se tornam mais frequentes a partir do segundo semestre da gravidez. O principal fator é o aumento da pressão na região pélvica exercida pelo útero crescente, que dificulta o retorno venoso. A prisão de ventre, com o esforço para evacuar, e o aumento do fluxo sanguíneo na área também agravam o quadro. 

Os sintomas variam conforme o tipo (internas ou externas), mas incluem dor local (ao evacuar, andar ou sentar), coceira e, em alguns casos, sangramento durante a evacuação, perceptível no papel higiênico. Medidas como o consumo de fibras, hidratação, banhos de assento com água morna e o uso de pomadas específicas, sob orientação médica, ajudam a aliviar o desconforto. 

O papel do pré-natal na prevenção e no cuidado 

O acompanhamento pré-natal regular é a ferramenta mais poderosa para identificar e tratar essas doenças comuns na gravidez antes que evoluam para complicações sérias. Os exames de rotina, a medição da pressão arterial, o teste de glicemia e a análise da urina são procedimentos simples que salvam vidas. 

Qualquer sintoma, por menor que pareça, deve ser comunicado ao obstetra. A gestação é um período de maior vulnerabilidade, mas também de maior cuidado. Com informação e atenção, é possível atravessar esses nove meses com mais saúde, segurança e tranquilidade para receber o novo membro da família. 

Referências 

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