Remédio genérico: mitos e verdades sobre eficácia, segurança e qualidade
Bianca Azevedo

- O que é um medicamento genérico
- Mito 1: Genérico não funciona tão bem quanto o original
- Mito 2: Genérico é mais barato porque é de qualidade inferior
- Mito 3: Não é seguro trocar o uso do medicamento original pelo
- Mito 4: Genérico não passa por fiscalização depois que chega ao mercado
- Verdade: Genérico ampliou o acesso à saúde no Brasil
- O que você precisa saber na hora da compra
- Perguntas frequentes sobre medicamentos genéricos
Você chega na farmácia com a receita na mão. O balconista oferece duas opções: o medicamento de marca que o médico receitou, por um preço mais alto, e o genérico, consideravelmente mais barato. A dúvida surge na hora: será que funciona mesmo?
Essa desconfiança é antiga e persiste até hoje. Pesquisas recentes mostram que 73% dos brasileiros consideram os genéricos confiáveis, mas 27% ainda nutrem algum tipo de desconfiança. A boa notícia é que essa dúvida pode ser resolvida com informação e ciência.
O que é um medicamento genérico
Genérico é um medicamento que contém o mesmo princípio ativo do medicamento de referência, na mesma dose e forma farmacêutica, administrado pela mesma via e com a mesma indicação terapêutica. Ele é produzido geralmente após a patente do medicamento original expirar, perdendo a exclusividade de fabricação.
A principal diferença visual é que o genérico não tem nome comercial. Ele é identificado apenas pelo princípio ativo (a Denominação Comum Brasileira) e traz na embalagem uma tarja amarela com a letra “G”.
Mito 1: Genérico não funciona tão bem quanto o original
Essa é a crença mais comum — e a mais equivocada.
Para ser aprovado pela Anvisa, o genérico precisa passar por testes de bioequivalência, que são realizados em seres humanos. Esses testes comprovam que o genérico é absorvido pelo organismo na mesma velocidade e na mesma quantidade que o medicamento de referência.
Em outras palavras: o comportamento do genérico dentro do seu corpo é equivalente ao do medicamento de marca. Se você tomar um genérico ou um de referência, o efeito terapêutico será o mesmo.
Mito 2: Genérico é mais barato porque é de qualidade inferior
O preço menor do genérico não tem relação com qualidade inferior. Ele é mais barato por razões econômicas bem definidas.
O fabricante do genérico não precisou investir em pesquisa e desenvolvimento de uma molécula nova. Ele não gastou anos em ensaios clínicos para descobrir o medicamento. Também não precisa investir em marketing para criar uma marca — afinal, o genérico nem tem marca.
Além disso, quando a patente expira, vários laboratórios podem produzir o mesmo genérico. Essa concorrência naturalmente empurra os preços para baixo.
Por lei, o genérico deve custar pelo menos 35% menos que o medicamento de referência.
Mito 3: Não é seguro trocar o uso do medicamento original pelo
A troca do medicamento de referência pelo genérico é segura e prevista em lei. O farmacêutico pode realizar essa substituição na farmácia, desde que não haja restrição na receita.
Isso só é possível porque o genérico passou pelos testes de bioequivalência. É justamente essa comprovação que confere ao genérico a condição de “intercambiável” com o medicamento de referência.
Mito 4: Genérico não passa por fiscalização depois que chega ao mercado
Falso. A Anvisa mantém um programa contínuo de monitoramento de qualidade, com recolhimento de amostras do mercado para verificação periódica.
Se houver qualquer desvio em relação ao padrão aprovado, o lote é suspenso e a empresa responde administrativamente. O sistema de vigilância não termina no registro — ele continua enquanto o medicamento estiver disponível para compra.
Verdade: Genérico ampliou o acesso à saúde no Brasil
Desde a criação da Lei dos Genéricos, em 1999, o acesso a medicamentos no Brasil mudou radicalmente.
Hoje, 90% das doenças conhecidas podem ser tratadas com genéricos. Eles representam 33% dos medicamentos consumidos no país, e a aceitação pela população chega a 80%.
A economia gerada beneficia não apenas o consumidor, mas também o Sistema Único de Saúde. Cada ponto percentual de aumento no uso de genéricos no SUS representa milhões de reais economizados anualmente.
O que você precisa saber na hora da compra
Todo medicamento genérico no Brasil traz na embalagem a frase “Medicamento Genérico Lei nº 9.787, de 1999” e a tarja amarela com a letra “G”.
Se você ainda tem dúvidas sobre a equivalência do genérico com o medicamento que seu médico receitou, converse com o farmacêutico. Ele é o profissional capacitado para explicar as evidências e ajudar na escolha segura.
O que não vale a pena é interromper um tratamento por não poder pagar pelo medicamento de marca, quando existe uma alternativa segura, eficaz e mais acessível disponível na mesma prateleira.
Perguntas frequentes sobre medicamentos genéricos
- Genérico é tão eficaz quanto o medicamento de marca?
Sim. O genérico passa por testes de bioequivalência que comprovam que ele age no organismo da mesma forma que o medicamento de referência. - Por que o genérico é mais barato?
Porque o fabricante não precisou investir em pesquisa, desenvolvimento e marketing para criar a molécula. Ele apenas reproduz uma fórmula que já está em domínio público. - Posso trocar o medicamento de marca pelo genérico?
Sim. O farmacêutico pode realizar a substituição, desde que a receita não tenha restrição expressa do médico. - Genérico passa por fiscalização depois de aprovado?
Sim. A Anvisa monitora continuamente a qualidade dos genéricos no mercado, recolhendo amostras para análise. - Como identifico um genérico na farmácia?
Pela tarja amarela com a letra “G” e pela inscrição “Medicamento Genérico” na embalagem. Ele não tem nome comercial, apenas o princípio ativo. - Genérico funciona para doenças crônicas?
Sim. Genéricos são amplamente utilizados no tratamento de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e colesterol alto. - Existe genérico de todos os medicamentos?
Não. Os genéricos só podem ser produzidos após a patente do medicamento de referência expirar. - Genérico pode causar mais efeitos colaterais?
Não. Os efeitos colaterais são os mesmos do medicamento de referência, porque o princípio ativo é idêntico.
Fontes:
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MEDLEY. Mitos e verdades sobre os genéricos. Disponível em: https://www.medley.com.br/blog/saude-fisica/mitos-e-verdades-sobre-genericos;
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BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE. Medicamentos genéricos. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/medicamentos-genericos-4/;
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LIVROS DO CREMESP. Manual dos medicamentos genéricos. Disponível em: https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Publicacoes&acao=detalhes_capitulos&cod_capitulo=67;
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PRINCEWATERHOUSECOOPERS. The pharmaceutical industry in Brazil. Brazil, pág 8. 2013. Disponível em: https://www.pwc.com.br/pt/publicacoes/setores-atividade/assets/saude/pharma-13-ingles.pdf.





