
Vírus Epstein-Barr entenda a “doença do beijo”
Isabelle Macedo Cabral

Você já acordou com o corpo pesado, dor de garganta intensa e uma sensação de cansaço que nem três noites de sono resolvem? Pode ser mais do que uma gripe comum. O Vírus Epstein-Barr (EBV) é um dos agentes virais mais prevalentes no mundo, mas ainda cercado de dúvidas.
O que é o Vírus Epstein-Barr?
O EBV, oficialmente denominado Human gammaherpesvirus 4, pertence à família dos herpesvírus (assim como o vírus do herpes labial e o da catapora). A grande diferença? Após a infecção aguda, ele permanece latente (adormecido) no corpo pelo resto da vida, principalmente nas células B do sistema imunológico.
Em condições de baixa imunidade ou estresse extremo, o vírus pode ser reativado, mesmo anos após a infecção inicial.
Como se pega?
O EBV é transmitido principalmente através da saliva. Daí o apelido popular.
- Beijo: Especialmente entre adolescentes e adultos jovens.
- Compartilhamento de objetos: Copos, talheres, batons, canudos e até mordidas em alimentos.
- Tosse e espirros: Em menor escala, por gotículas de saliva.
- Transfusão sanguínea e transplantes: Formas raras, mas possíveis.
Importante: Uma pessoa pode transmitir o vírus mesmo sem apresentar sintomas, pois ele é eliminado pela saliva intermitentemente ao longo da vida.
Sintomas: da criança ao adulto
| Faixa etária | Sintomas típicos |
| Crianças pequenas | Geralmente assintomático ou parece um resfriado leve (nariz escorrendo, tosse leve). |
| Adolescentes e adultos | Quadro clássico da mononucleose infecciosa: febre, dor de garganta intensa (com placas brancas), ínguas no pescoço (linfonodos inchados) e fadiga extrema. |
| Reativação em adultos | Cansaço persistente, dores musculares vagas, febre baixa, sensação de “névoa mental”. |
Um sinal clássico da mononucleose é o aumento do baço (esplenomegalia), que ocorre em cerca de metade dos casos. Por isso, médicos orientam evitar esportes de contato por até 2 meses — um baço aumentado pode se romper com uma pequena pancada.
Diagnóstico: como ter certeza?
O diagnóstico não é feito apenas pelos sintomas. Os exames principais incluem:
- Hemograma: Geralmente mostra aumento de linfócitos (linfocitose) com células atípicas.
- Teste do monospot: Anticorpo heterófilo — rápido, mas pode dar falso-negativo na primeira semana.
- Sorologia específica (ELISA): Diferencia infecção aguda (IgM positivo) de infecção passada ou reativação (IgG positivo).
Tratamento: o que funciona (e o que não funciona)
Atenção: Não existe um antiviral específico que elimine o EBV de forma eficaz em pessoas saudáveis. Medicamentos como aciclovir não mudam o curso da doença.
O tratamento é de suporte, ou seja, foca no alívio dos sintomas:
- Repouso relativo: Evitar esforço físico intenso, mas sem ficar de cama 24 horas por dia (isso pode piorar a fadiga a longo prazo).
- Hidratação abundante: Água, água de coco, chás.
- Analgésicos e antitérmicos: Paracetamol ou dipirona para febre e dores. Evite aspirina em crianças e adolescentes (risco de síndrome de Reye).
- Anti-inflamatórios: Ibuprofeno pode ajudar na dor de garganta intensa.
- Corticoides (apenas casos graves): Se houver risco de obstrução das vias aéreas por inchaço das amígdalas ou complicações neurológicas.
Quando procurar um médico?
Busque atendimento se você apresentar:
- Dor de garganta tão forte que impede engolir saliva.
- Febre acima de 39°C por mais de 3 dias.
- Dor abdominal intensa no lado esquerdo (pode indicar ruptura do baço).
- Icterícia (pele amarela) ou urina escura.
- Confusão mental ou torcicolo com rigidez na nuca.
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