
Ouro azul: os benefícios do mirtilo para a saúde
Isabelle Macedo Cabral

Nas prateleiras dos supermercados e nas receitas de influenciadores fitness, o mirtilo já conquistou seu espaço. Mas o que poucos percebem é que estamos testemunhando não apenas uma moda gastronômica, mas uma verdadeira revolução na nutrição preventiva.
Pesquisas em neurociência, cardiologia e gerontologia convergem para um mesmo veredicto: o mirtilo (Vaccinium spp.) pode ser uma das ferramentas mais promissoras no combate às doenças.
A bioquímica do tom azul
A cor intensa que varia do índigo ao púrpura não é mera estética. Cada tom representa um coquetel específico de polifenóis, com destaque para as antocianinas, moléculas com capacidade única de atravessar a barreira hematoencefálica e proteger neurônios.
Estudos publicados no Journal of Nutrition demonstram que o consumo regular modula expressão gênica relacionada à inflamação crônica – fator comum entre obesidade, diabetes e doenças neurodegenerativas. Em outras palavras, é como se o mirtilo “reensinasse” nossas células a envelhecer com mais saúde.
Benefícios científicos
A ação antioxidante e anti-inflamatória das antocianinas e de outros compostos, como os polifenóis e a vitamina C, se traduz em benefícios concretos para a saúde:
Cérebro: Estudos, incluindo alguns em humanos, sugerem que o consumo regular de mirtilo pode melhorar a função cognitiva, a memória e o tempo de reação. Pesquisas indicam um potencial papel neuroprotetor, ajudando a retardar o declínio cognitivo associado à idade e reduzindo o risco de doenças como Alzheimer.
Coração: As antocianinas ajudam a melhorar o perfil lipídico (reduzindo o LDL, o “colesterol ruim”) e a pressão arterial, além de proteger as paredes dos vasos sanguíneos. O efeito combinado é um menor risco de doenças cardiovasculares.
Controle do Açúcar no Sangue: Apesar de doce, o mirtilo tem um impacto positivo no controle glicêmico. Suas fibras e compostos bioativos melhoram a sensibilidade à insulina, sendo uma excelente opção para pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
Saúde Visual: A tradição de que o mirtilo é bom para os olhos tem fundamento. As antocianinas se acumulam na retina, protegendo-a do estresse oxidativo e melhorando a circulação sanguínea na área, o que pode ajudar na adaptação ao escuro e na fadiga ocular.
Imunidade e Pele: A vitamina C, presente em boa quantidade, estimula a produção de colágeno (essencial para a firmeza da pele) e fortalece o sistema imunológico.
Dose ideal para consumo
Diferente de muitos supostos “superalimentos”, o mirtilo possui dose-resposta bem estabelecida:
200g diários (1½ xícaras): Redução de 15-20% no risco cardiovascular em estudos prospectivos
1 xícara diária: Melhora de 5-6% em testes de memória episódica em adultos acima de 65 anos
75g diários (½ xícara): Aumento significativo na sensibilidade à insulina em pré-diabéticos
Posso comprar mirtilo congelado?
Contrariando o senso comum, mirtilos congelados industrialmente podem conter maior concentração de antioxidantes que os frescos. O processo de “flash freezing” rompe estruturas celulares, liberando compostos fenólicos que permaneceriam parcialmente indisponíveis.
O ideal é variar entre as versões fresca, congelada e liofilizada.
Contraindicações e interações
Pacientes anticoagulados devem moderar o consumo devido ao potencial efeito antitrombótico. Isso porque o mirtilo potencializa varfarina, exigindo monitoramento. Diabéticos também precisam contabilizar os 14g de carboidratos por xícara em sua dieta.
Fontes:
Journal of Agricultural and Food Chemistry
Human Nutrition Research Center on Aging (Tufts University – EUA)
Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN)
Mais sobre Receitas


Verão com Energia: superalimentos para se refrescar e fortalecer

Imunidade no verão: alimentos para se proteger

Como a alimentação afeta sua imunidade no verão

Soro Caseiro: veja a receita para evitar desidratação
